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24 de mar. de 2025

DERSU UZALA



Sinopse:   "O capitão Vladimir Arseniev (Yuri Solomin) é enviado pelo governo soviético para explorar e reconhecer as montanhas da Mongólia, juntamente com uma pequena tropa. Em meio a expedição eles encontram Dersu Uzala (Maksim Munzuk), um caçador que vive apenas nas florestas. Percebendo que Dersu conhece bastante o local, o que pode facilitar o trabalho, o capitão lhe oferece que acompanhe a tropa até o término da missão. É o início de uma forte amizade entre o capitão e Dersu, que aos poucos demonstra suas habilidades."  Filme soviético-japonês de 1975, dirigido por Akira Kurosawa que também participou do roteiro, (Dersu Uzala - Filme 1975 - AdoroCinema)

Mais um daqueles filmes inesquecíveis  que me encantaram no passado. Então, claro, desejei revê-lo. Eu queria ser cativada novamente no presente - e fui.   

É um filme de homens rudes, sendo ainda assim belo e delicado. Só por esse detalhe já se vê nele arte.

Não é uma película de ação. Não há suspense nem romance nem terror nem guerra. É longo e silencioso, como as montanhas nevadas. Cheio de cenas "desapressadas" e, ainda assim, nos prende do começo ao fim. 

O personagem principal é um homem rude de sentimentos delicados e límpidos. Dersu Uzala é um  personagem marcante. Impossível não amá-lo, por fim. Ele é tudo que os seres humanos deveriam ser:  humanos. Naturalmente humanos. Ele não sabe que é doce, ele não sabe que é raro, ele não sabe que é uma pequena luz se movimentando pelas montanhas geladas. 

Dersu é totalmente ligado à natureza. Não, corrigindo: ele é a sua  personificação. Ele é a Sibéria. Ele é o rio, as árvores, o tigre, o couro, as pegadas na neve, o conhecimento ancestral. É a própria natureza,  sábia e  generosa.   Ele não entende a vida de outro modo e age numa espontaneidade cativante. Ele não acha que bondade seja bondade. Para ele essa é apenas a maneira lógica de agir.   

Outra coisa que achei interessante: é raro vermos a junção harmônica de bondade autoridade.   A maneira profundamente humana de agir, a disposição de servir e mesmo assim não flagrarmos no personagem nem um mísero traço de subserviência. É isso.  A autoridade da humildade real. O jeito de ser de quem é compromissado com o bem mas é livre, dono de si mesmo e sujeito a ninguém.  

No fim a gente reflete sobre várias coisas.  Seres humanos raros muitas vezes passam pelo mundo e somem como a névoa. Nós os perdemos e isso é tão triste! Eles vêm e vão sem pretensão de deixar legado. Quem quiser e puder que guarde no coração algumas de suas pegadas.  

Quantos "Dersus Uzalas" já passaram por aqui sem que nós os valorizássemos ou mesmo percebêssemos?   Que grande perda deve ter sido!

Sim, é um filme tocante. Pelo menos o foi para mim.  

É o que chamam de "filme de arte", que nem todo mundo tem "disponibilidade sentimental" para assistir.





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