.

.

23 de jun. de 2026

AQUELES DIAS

Eu estava aqui olhando umas fotos antigas.  Acho que não devia fazer isso. Não deveria lembrar,  mas esbarrei nas fotos.   Quem diria... Lá estava eu sorridente, cheia de vida,   acenando, dançando,  posando  toda sexy com meu cabelão e minha juventude.   Mas por dentro... Ah, por dentro o meu coração estava completamente dilacerado.  Era dor,   muita dor!   Dor de desesperar, dor de morte.   Quem me olhasse talvez  até sentisse inveja. Ninguém sabia que eu ia ao banheiro para poder chorar,  chorar,  chorar! Me aliviar  daquele nó da garganta,  daquela lágrima ardida  arrombando meus olhos , exigindo liberdade no maior atrevimento.    Aquela angústia transbordaria no choro que eu não queria mostrar mas  abriria espaço pra respirar.  É, eu tinha que chorar.   Depois eu voltava para o grupo em passos casuais e desentendidos,  sonsa e "plena" , com batom retocado e um novo sorriso engatilhado.  Às vezes o olhar se perdia  na paisagem atrás das pessoas como se estivesse catando alguma coisa esvoaçante.   As vezes eu perdia o fio das conversas. Who cares?

 Estranho constatar , pelas fotos,  que jamais os  meus sorrisos foram tão lindos quanto os  daqueles dias em que eu só queria morrer.   

Nenhum comentário:

REALIDADES BRASILEIRAS