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19 de dez. de 2025

O que eu tenho a ver com a Janis Joplin?

Não espero escrever um bom texto com esse tema. Só quero explicar (pra quem?) ou melhor:  tentar entender o que eu sinto quando ouço a Janis Joplin

É muito estranho. Ela cantava com a alma e de um jeito tão intenso que me afeta de uma maneira incômoda, desconfortável. 

Embora eu a considere   genial, o que sinto não é bom. É como se eu entrasse em um túnel escuro de inquietação e tristeza. Como se fosse puxada para um lugar e um tempo esquecido, nebuloso, fatal, para o qual eu não devesse retornar. 

É muito incômoda essa identificação com ela. Dói. Fico mal.   É uma identificação tão forte que me angustia. 

De repente é como se eu sentisse tudo o que ela sentia. Isso não faz nenhum sentido.  Há uma energia naquelas músicas que em mim funcionam como veneno. É como se eu a conhecesse, como se estivesse dentro dela ou fôssemos a mesma pessoa só que em uma realidade alternativa.  Como se, pelo tempo que a música dura, eu voltasse ao passado e sentisse tudo de novo, vivesse tudo de novo.  Sinto uma  agitação, uma espécie de "sede de estrada", uma necessidade esquisita de ir embora. 

Não estou infeliz. Não quero ir embora. Gosto da minha vida. Está tudo bem comigo. Não tenho depressão nem vícios. Adoro minha família. Que raio é isso então?! 

Só me vem essa maluquice quando a ouço cantando.   Aí tudo "volta". Como assim? Tudo o quê?   Tudo volta de onde? 

É como se eu tivesse sido arrancada daquela vida. Meu Deus, eu sinto "tudo de novo" sem nunca ter sido.   Então me vem uma... uma espécie de saudade não sei do quê exatamente. Uma "saudade" e uma dor,  um nó na garganta, uma coisa intensa e difícil de explicar. Uma melancolia profunda. Olho para as pessoas ao redor, minha família,  e é como se eles não me conhecessem de fato.  

Isso suga toda a minha alegria e me traz de volta um passado que não quero lembrar de jeito nenhum, que escondo de mim mesma. Só que nada disso existe! É só fantasia por causa das músicas!   

Como se eu guardasse um antigo vestido em um baú muito venho. Esse baú está lá em cima, no sótão, totalmente esquecido. Eu sempre prometo a mim mesma que nunca mais vou abrir o baú, só que esqueço. Então quando não tenho o que fazer retorno ao sótão e distraidamente abro o baú novamente e tudo retorna.  O cheiro do vestido, o botão frouxo, a barra suja de lama, as botinas. Onde estão?   

Em algum momento fui tirada daquilo tudo.  Minha vida hoje é uma realidade alternativa. Solaris... (você viu o filme?). Fui tirada como quem é salva de alguma coisa ruim. Só que minha alma não acostumou, não encaixou totalmente. De vez em quando "dá bug". Meu temperamento e todas as minhas inclinações ficaram lá. Eu só tenho paz quando esqueço. 

Por que sinto essa flechada,  essa dor no coração, essa melancolia tão pesada quando ouço Janis Joplin? O que tenho a ver com ela? Nada!  Por que isso me afeta tanto? Porque ela me faz sentir como se eu tivesse sido separada de alguém que nem sei quem é?  Não conheço o rosto, não tenho registros. Nada. Mas há uma falta dolorosa.   É como uma foto de onde você recortou uma pessoa. Fica só o espaço vazio, o contorno de alguém que você não consegue lembrar quem é. 

O que houve? Houve alguma coisa? O que eu tenho a ver com a Janis Joplin?

Evito ouvi-la. Evito vê-la. Não quero lembrar do que não existe. Sou tendente a fantasias. Sempre fui.  Não quero levar a sério uma realidade virtual que não faz sentido nenhum.   Não quero me sentir como se eu fosse uma cópia de mim mesma. Uma cópia com outras roupas, outro jeito no cabelo, uma cópia mais comportada e sem asas. 

Alguém escreveu um livro. Anos depois resolveu escrever outra história com a mesma personagem. Outra época, outras roupas, outro final. Dessa vez um final mais aceitável. Mas os leitores não gostaram muito. A personagem perdeu sua força, perdeu sua essência. Ela mesma não se reconhece e as vezes sente como se estivesse fingindo ser o que não é.  Não deveriam reaproveitar personagens.  A verdade dela está na primeira edição. Nessa segunda o autor a salva mas...  

Tudo fica bem. Ela só não pode ouvir Janis Joplin.


Não veja o vídeo

"A Direita é frouxa"

Tenho ouvido muito isso nos últimos dias. Acusações. A vítima é culpada. Quem está com uma arma apontada para a cabeça é covarde.   

Seguindo esse raciocínio poderíamos dizer que todos os judeus que foram para as câmaras de gás eram frouxos. Se todos se unissem ao mesmo tempo poderiam  esquartejar os guardas nazistas e fugir dali. O pessoal que estava nos guetos também: bastaria que se revoltassem.  Bastaria que se negassem a entrar nos trens.  Se não fossem frouxos poderiam derrubar Hitler fazendo protestos pacíficos nas ruas. 

Que raciocínio, meu Deus!

Se somos frouxos então temos que admitir que tudo que a esquerda fez até hoje era o certo.   Teremos que admitir humildemente que eles estão corretos quando dizem que nossos padrões morais são elitistas e burros. Tantos são burros que nós estamos aprisionados justamente por causa desses padrões morais que professamos cegamente e que agora nos imobilizam.  Então vamos dar o braço a torcer e passar a acreditar que os fins justificam os meios e que infringir a lei é um ato de coragem, louvável ousadia. É só mais uma ferramenta necessária para alcançarmos os nossos "elevadíssimos objetivos"  (dar poder infinito aos líderes e continuar comendo barro em nome da igualdade).

Ao admitirmos que somos frouxos devemos repensar tudo o que professamos.  Precisamos entender que isso equivale a apostatar de tudo o que defendemos até então.  Até então acreditamos em conceitos de moralidade e justiça, coisas que, segundo os "corajosos  de plantão",  não passam de historinha para boi dormir. (Ouvi coisas desse tipo na faculdade).

Todos os foras da lei são muito corajosos.  Eles andam armados mesmo e estão cagando  para a regrinha de porte de arma que o governo exige de otários  como nós.  Usaram drogas na cara das autoridades até forçar essas mesmas autoridades a fazerem ativismo judicial e liberarem o uso, ao arrepio da lei.   É, é preciso ter coragem.  Admito. Uma coragem usada para o mal ainda assim é coragem. 

Estamos afundando porque não queremos roubar , não queremos depredar a residência dos desafetos, não queremos colecionar dossiês, não queremos nos arriscar,  não queremos sequestrar , não queremos difamar,  não queremos apoio do narcotráfico,  não queremos comprar consciências,  não queremos obter armas no mercado negro, não queremos ameaçar autoridades, não queremos fazer guerrilha urbana, não queremos torturar e matar dissidentes e acreditamos cegamente que obedecer às leis é a coisa certa a fazer.   Todos os esquerdistas fazem isso?  NÃO! Mas fazem vista grossa, defendem e votam em quem fez um monte dessas coisas no passado e ainda faz algumas delas no presente.  Pra mim dá no mesmo. 

Todo conservador é santo? Não. Nenhuma regra no mundo se aplica a todas  as pessoa. Mas não preciso ficar explicando isso. Você entendeu do que estou falando.

A direita é frouxa e covarde porque na sua maioria é formada por pessoas que vieram de famílias estruturadas e que tiveram pais que lhes passaram valores - valores esses que estão nos atrapalhando agora.   Os filhos de chocadeira são muito mais livres para abraçar a moral que lhes convém.  Por isso lutam contra a família tradicional e contra a religião.  

Se somos frouxos então eles sempre estiveram certos e nós sempre estivemos errados.

Já fizemos tudo que cidadãos honestos podem fazer.  Só nos falta apelar para a violência.  Se fôssemos "corajosos" faríamos o que a esquerda fez no passado: entre outras coisas eles sequestraram um embaixador norte-americano para troca-lo por um militante  que estava preso.  Quando nos chamam de frouxos será que estão insinuando que é isso que deveríamos fazer?  

Agimos diferente deles por quê? Porque temos caráter ou porque somos frouxos?  Está na hora de sermos sinceros conosco mesmos. Em quê você acredita?

 Repito: já usamos de todos os meios legais nessa luta.  Todas as ferramentas que a lei nos permite foram e estão sendo usadas.  O resultado é ZERO.  Só nos restam dois caminhos a escolher:

1) Aceitar os fatos e entregar nossa vida a Deus porque é ele quem estabelece reis e derruba reis, é ele que endurece o coração de faraó mas é também quem amolece o coração de Ciro.  

2) Vamos provar para o mundo o quanto somos valentes, que frouxo é a vovozinha!  Vamos barbarizar ,  meter os pés pelas mãos,  dar murro em ponta de faca e entrar para a história -  talvez como Tiradentes: enforcado e esquartejado rsrs

Como já dizia a minha avó "o cemitério e os presídios estão cheios de  gente valente."

Vou escolher ser frouxa e covarde segundo o critério desse sistema podre e quero que meus filhos e netos sejam frouxos também .  Porque  "valentia" é uma coisa muito linda quando são os filhos dos outros que estão na linha de fogo.

 A esquerda é "corajosa"? OK, é mesmo.  Parabéns para eles. Palmas! Será que conseguem ser felizes com esse  troféu dado pelo diabo?



21 de mai. de 2025

"Botton"

Agora entendo os velhos. As pessoas criticam dizendo que precisamos de novos sonhos,  novos planos e alvos. É esse o conselho: fazer de conta que a vida não está se esvaindo e que ainda temos muita coisa pela frente. 

Creio que sempre fui - no passado - uma pessoa cheia de vida. Era algo bem real, que exalava. Era isso, não propriamente beleza, que me tornava uma pessoa interessante.  Então eu concordava com quem aconselhava os velhos a se animarem. O que eles não sabiam, e  agora sei, é que se animar cansa e nem sempre dá frutos. É um fenômeno interior  empapado de expectativas e a maioria das expectativas são pneus furados: não vão muito longe. 

Os velhos não querem mais vibrar nada, querem apenas que não lhes encham o saco.

Até uns 15 anos atrás eu ainda cultivava a ideia de que uns fatos animados poderiam me sobrevir.  Coisas poderiam acontecer. Eu então poderia plantar coisas para coisas acontecerem.   Com esse pouco de matéria-prima eu ainda consegui ir levando por mais um tempo. Toda expectativa alegre joga uma baforada de juventude na cara da gente. De fato algumas coisas legais aconteceram. Só não me disseram que elas eram "a rapa do tacho". 

O tempo está escoando como areia em uma ampulheta arrombada. Não dá mais tempo de nada e como eu não quero mais nada mesmo, está tudo bem. O trem já está em movimento. É seguir viagem com o que  tenho em mãos e seja o que Deus quiser.

Não acho que esse texto seja triste. Não estou triste por isso mas pelos grupos animados de amigos, que viraram pó. Não os amigos que viraram, pó mas os grupos. Entenda. 


Ah, os amigos...  Flutuávamos por perto uns dos outros como um sorridente sistema solar.  Parecia haver uma lei da gravidade que nos mantinha assim.  Ninguém nunca ia longe demais, ninguém nunca ia para sempre. Depois de uma temporada circundando o sol o retorno era garantido.  

Bem, não somos astros e não há nenhuma gravidade que nos grude para sempre uns aos outros. Nosso sisteminha solar - coitado - é frágil como um ajuntamento de bolhas de sabão.  Um simples sopro e vai cada um para um lado.   

Depois de uma temporada visitando o sol alguns corpos celestes simplesmente não voltam mais.  São capturados, talvez, e vão integrar outras orbitas - tchau e bênção.   

Eis que os amigos evaporam como gelo no asfalto. De fato amizade não é para sempre.  É bonito dizer que é, mas não é. Culpa de ninguém. Gelo no asfalto.  

Aí vem o lance da solidão. Mas calma, ela não chega cedo. Ela demora e se anuncia com muita antecedência. A solidão é aquela hóspede que nem chegou, mas já começou a incomodar. Começa desde quando você percebe que, aos poucos, os seus amigos vão abandonando a ciranda, um a um. "Vou ali fazer xixi e já volto" - mas não volta. É aí que você começa a entender o que vai acontecer.   Sim, ela demora a chegar, mas já te chateia bem antes.

Então saiba que essa cobrança otimista de "olhe para o futuro" não cola mais. Tudo agora se resume a uma despedida arrastada.   É o momento em que a vida se assemelha a uma "dança de rato", que dá voltas e mais voltas pra no fim acabar indo mesmo para o brejo. 

No momento está caindo uma chuva espalhafatosa lá fora. Lembro do tempo em que eu adorava pular na chuva. É uma das sensações mais maravilhosas do mundo! Não entendo por quê cargas d'água a gente para de pular na chuva!

Bem, ainda olhando para trás eu posso já afirmar que tive uma vida muito boa. Agradeço aos envolvidos.   Milhares de coisas lindas aconteceram. Tudo bem, várias outras, ruins, também aconteceram  mas elas fizeram o favor de "desacontecer", então fiquei no lucro.  Posso classificar minha passagem no planeta como BEM SUCEDIDA.  


Quanto ao mais, o melhor da pior idade é poder dizer o seguinte em relação a todos os convites e a todas as sugestões:  não sou obrigada

Vou criar um "botton" com isso.

9 de mai. de 2025

Borrões

 


 

Acabei de assistir alguns vídeos de "músicas mais tocadas"  lá por volta dos anos 60. Duas coisas me chamaram a atenção: a qualidade insuperável das músicas e  a má qualidade dos vídeos.  Fora a dor no coração por uma época que não vivi e que se foi sem me dar satisfação, ficou aqui a frustração de querer ter mais nitidez nos vídeos. Eu queria ver mais, olhar melhor, beber daquilo. Eu queria o impossível: pegar carona em um trem que não era o meu. 

Os vídeos antigos são como o próprio passado. São fugidios, borrados. Não é assim?  Não há nitidez no passado. É certo que alguns olhares marcam mas nada muito além disso. Em outra cena um sorriso, um meneio, um vestido branco com bordados indiscerníveis. Está tudo lá, na memória. Está e não está.  É como se nos faltassem os óculos. O cantor sorridente, de pele límpida e dentes brilhantes, o que tem ao seu redor?  Vultos que riem sem boca, olham sem olhos, usam anéis mas não tem dedos.  Eles não querem ser lembrados. Pertencem a outras memórias. A princípio tentamos completar as imagens falhas com rostos e gestos imaginários mas é inútil.  Deixaria de ser memória para se tornar fantasia. Não queremos fantasia!

O que interessa da memória é o que dela temos. O que sobrou é o que nos pertence. É pouco, eu sei, mas é assim. Tudo não passa de acenos de um barco que já se foi.    

O passado está salvo da nossa interferência. Ele descansa em paz, resolvido.    

Não faz sentido reclamarmos da má qualidade daqueles vídeos. Eles são tal qual as lembranças que evocam. É da própria natureza da coisa. Borrões são o toque de mistério e melancolia necessários à saudade, à dor, á curiosidade.  O que não vemos é justamente o que nos impede de ir para lá.  Borrões são a sinalização:  "Acesso negado. Você só pode vir até aqui".   Somos colocados no nosso devido lugar.  Nosso lugar é aqui e agora e a ninguém é dado o direito de pular o muro. 

Não reclame. Não é assim que nos lembramos da nossa mãe, dos colegas, dos primeiros livros, das festas de São João, do primeiro beijo? Não é assim? Havia flores? Você não lembra.  Como eram as cortinas?  Quem eram os figurantes?  Como era a voz do seu pai? Quantas almofadas havia no sofá? 

A realidade tem detalhes demais. Cada grão de areia, cada dobra no lençol ou formiga caminhante precisam estar muito claros e visíveis, se não não é presente. Tudo tem que poder ser descrito em minúcias. Não existe presente sem micro detalhes e é a ausência deles que nos impede de pisar no passado.  E é assim que ele foge de nós.

Só nos restam os borrões. São tudo o que temos.

24 de mar. de 2025

DERSU UZALA



Sinopse:   "O capitão Vladimir Arseniev (Yuri Solomin) é enviado pelo governo soviético para explorar e reconhecer as montanhas da Mongólia, juntamente com uma pequena tropa. Em meio a expedição eles encontram Dersu Uzala (Maksim Munzuk), um caçador que vive apenas nas florestas. Percebendo que Dersu conhece bastante o local, o que pode facilitar o trabalho, o capitão lhe oferece que acompanhe a tropa até o término da missão. É o início de uma forte amizade entre o capitão e Dersu, que aos poucos demonstra suas habilidades."  Filme soviético-japonês de 1975, dirigido por Akira Kurosawa que também participou do roteiro, (Dersu Uzala - Filme 1975 - AdoroCinema)

Mais um daqueles filmes inesquecíveis  que me encantaram no passado. Então, claro, desejei revê-lo. Eu queria ser cativada novamente no presente - e fui.   

É um filme de homens rudes, sendo ainda assim belo e delicado. Só por esse detalhe já se vê nele arte.

Não é uma película de ação. Não há suspense nem romance nem terror nem guerra. É longo e silencioso, como as montanhas nevadas. Cheio de cenas "desapressadas" e, ainda assim, nos prende do começo ao fim. 

O personagem principal é um homem rude de sentimentos delicados e límpidos. Dersu Uzala é um  personagem marcante. Impossível não amá-lo, por fim. Ele é tudo que os seres humanos deveriam ser:  humanos. Naturalmente humanos. Ele não sabe que é doce, ele não sabe que é raro, ele não sabe que é uma pequena luz se movimentando pelas montanhas geladas. 

Dersu é totalmente ligado à natureza. Não, corrigindo: ele é a sua  personificação. Ele é a Sibéria. Ele é o rio, as árvores, o tigre, o couro, as pegadas na neve, o conhecimento ancestral. É a própria natureza,  sábia e  generosa.   Ele não entende a vida de outro modo e age numa espontaneidade cativante. Ele não acha que bondade seja bondade. Para ele essa é apenas a maneira lógica de agir.   

Outra coisa que achei interessante: é raro vermos a junção harmônica de bondade autoridade.   A maneira profundamente humana de agir, a disposição de servir e mesmo assim não flagrarmos no personagem nem um mísero traço de subserviência. É isso.  A autoridade da humildade real. O jeito de ser de quem é compromissado com o bem mas é livre, dono de si mesmo e sujeito a ninguém.  

No fim a gente reflete sobre várias coisas.  Seres humanos raros muitas vezes passam pelo mundo e somem como a névoa. Nós os perdemos e isso é tão triste! Eles vêm e vão sem pretensão de deixar legado. Quem quiser e puder que guarde no coração algumas de suas pegadas.  

Quantos "Dersus Uzalas" já passaram por aqui sem que nós os valorizássemos ou mesmo percebêssemos?   Que grande perda deve ter sido!

Sim, é um filme tocante. Pelo menos o foi para mim.  

É o que chamam de "filme de arte", que nem todo mundo tem "disponibilidade sentimental" para assistir.





30 de dez. de 2024

Meu Instagram

 Dei uma revisitada nas postagens mais antigas do meu Instagram. Recomendo que você faça o mesmo e observe a sutil mudança pela qual passou ao longo dos anos.  Pode ser melancólico, pode ser engraçado. Certamente será interessante.

Notei que em um primeiro momento, sem entender muito qual a finalidade do Instagram, eu postava algumas coisas muito bobas, dando conta do meu dia-a-dia (hoje apaguei um monte delas).  A segunda fase foi a melhor:  tirava fotos muito aleatórias de coisas que eu achava interessantes ou só bonitas. Tirava foto mais das  cores do que das coisas em si. A cor da tarde, a cor da água através do vidro da garrafa, a cor da flor, do vaso, o reflexo do sol ou da lua.  

Havia uma foto que tirei de dentro do meu carro, enquanto estava no lava jato. Fotografei aquele imenso escovão azul que limpava o para-brisas. Por que fiz isso? Porque me encantou a profundidade do azul turquesa do escovão! Você precisava ver.  E as gotículas de água espirrando, escapando dele, fugindo gargalhantes para todos os lados.  Parecia haver vida ali. Estava tudo animado. E eu ali,  inerte e contemplativa curtindo minha fatia de felicidade. 

Amei aquela capacidade de me encantar com coisas simples e "invisíveis". Havia várias outras fotos semelhantes e acabei me perguntando se em algum momento o meu olhar se perdeu. A gente pode "perder o olhar" assim como as cozinheiras "perdem a mão."  É um perigo isso.

A  beleza está em todo lugar. O belo de verdade aparece sem querer, sem aviso e sem ajuda. 

Postei foto da minha chaleira branca por causa das suas curvas graciosas. Gostei também de um certo urubu que plainava no céu pouco antes de a chuva cair. Ele ia muito sem pressa e conseguiu parecer majestoso naquele momento. Todos sabemos que os urubus são feios mas aquele ali conseguiu driblar o estereótipo.   Apreciei também umas rabanadas, que de tão bem fritas mereceram registro. 

Depois veio a sequência de fotos minhas  e de familiares. Tantas fotos minhas eram desnecessárias ao mundo mas faz parte. Integram nossos costumes modernos. 

Depois disso fui amargando. Foi o que me pareceu.  Comecei com denuncias das injustiças da politica e não parei mais. Tudo foi ficando desconfortável de se acompanhar. Misturei essa amargura com diversas piadas e memes. Cobri também com camadas de versículos bíblicos,  aqueles que me traziam alívio pra isso tudo. Poderiam ajudar mais alguém.  Mas mesmo assim o meu Instagram parecia aflito, meio perdido e triste. Aos poucos isso foi me afligindo. Todo dia eu recebia notícias ruins da parte do governo e do resto do mundo, de tal forma que o belo aleatório parou de me tocar. Aparecia pouco e por ser pouco não conseguia aliviar a tensão da minha página.  Quando uma foto mais doce aparecia vinha com um ar meio deslocado, desconfortável no meio daquela tristezarada toda.   Foi quando comecei a sentir necessidade de ir embora.

Sair das redes sociais é ir embora.

Estou agora em ritmo de jejum. Não sei se quero voltar a me manifestar sobre assuntos da atualidade.  Centenas de pessoas que eu via nas telas e curtiam minhas postagens sumiram.  Ou porque se cansaram de mim ou porque se cansaram da internet. Ou quem sabe "o sistema" nos cortou uns dos outros. Ficamos todos mais sós em nossas celas, falando para as paredes.  Todos esses motivos juntos formaram um caldo de desencanto que só o jejum pode curar. Preciso parar. 

Não entendi muito bem se estou só cansada ou enojada. Mas quero trazer de volta a Cristina das formiguinha, do bule branco, da foto da pamonha, da fogueira.  

Depois que o navio afunda nada mais importa.

Por enquanto é isso.



9 de dez. de 2024

FARGO


 Acabei de assistir o primeiro episódio. É ótimo, mas também é "ótimo". 

Trata-se de uma história policial que se desenvolve em ritmo cativante e  nos prende até o fim. Você fica mesmo em suspense. Por isso é ótimo. Mas passa a ser "ótimo" entre aspas porque, no final das contas, o filme nos passa umas mensagens realmente diabólicas.  Quais mensagens?


1- Ninguém respeita o mais fraco. Imponha-se com a maior violência possível. 

2 - Ou você é temido ou você é pisado. Escolha.

3 - Se você confia na lei e no sistema, então você é um idiota. 

4 - O sistema não respeita você. Respeite-se.

5-  Violência resolve. Resolva o seu problema.

6 - Jamais perca a sua ferocidade ancestral. Isso é o que temos de mais caro.

7- A lei e a justiça não existem para te defender, mas para te conter.

8 -  Não peça permissão ao mundo. 

9 - O predador sabe se você tem medo e isso só o incentiva a continuar agindo mal. 

10 - Seja pior do que o predador. 

11 - Algumas pessoas tem que morrer mesmo. O mundo não sentirá falta delas e eliminá-las é um favor que você presta a você mesmo e à humanidade. Isso não é errado, só é contra a lei. Drible a lei.

12 - Não permita que ninguém tire a sua dignidade. 

Como vemos, nesse aspecto não temos diante de nós um bom filme, mas um filme altamente nocivo, que influencia as pessoas de uma forma péssima. A história nos envolve a fim de nos convencer o tempo todo dos intens acima enumerados.   

Note que você só passa a admirar o personagem principal a partir do momento em que ele reage e mata. Antes disso até mesmo o espectador o despreza e perde a paciência com a passividade dele.     

O personagem misterioso assume a função de "diabo" da história, tentando o outro e convencendo-o a "se fazer respeitar".  Dessa forma fica parecendo que o "diabo"  não é tão mau assim, pelo contrário: é só ele que parece se importar com o drama do fraco. E ainda se oferece para "ajudar"!     

Mas há uma lição: quando você se vir seduzido por uma proposta do mal, jamais fique em cima do muro. Só o NÃO pode significar NÃO. O silêncio significa SIM.   "Vou pensar e depois respondo" significa SIM.  "Não tenho certeza" também é SIM.       

Só há uma resposta possível para o mal: um grande e rotundo NÃO.


11 de nov. de 2024

Frasco aberto


Não estou conseguindo. Sério, não consigo mais. Há coisas que escrevi há anos e nem eu mesma acredito que fui eu que pari a criança.   Esses dias fui com o cursor do mouse até o final da poesia para ver se eu mesma havia escrito aquilo ou se constava ao final do texto os créditos do verdadeiro autor.  Mas não, não havia crédito de outro. Era eu mesma, a Cristina, quem escreveu. Nossa, que surpresa! Sério mesmo?  

Acho que esqueci o frasco do perfume aberto. Ou muito mal tampado. Senti saudade da antiga fragrância mas tudo que encontrei foi um pouco de líquido amarelo-escuro no vidro. O líquido estava  um pouco mais denso e com o cheiro drasticamente diminuído... e um pouco alterado também.  Cheiros deveriam ser sagrados.  

Deixei o frasco aberto por muitos anos. Que descuido!    

Eu mesma me sinto assim, gasta e cansada e não há erro maior do que tentar fingir que ainda sou a mesma.   Mudou tudo. Não me reconheço. Isso tem um lado bom porque é necessário uma dose bem grande de angústia e inquietação para escrever alguma coisa bonita.  Tem que doer pelo menos um pouco. Agora, por exemplo, está doendo um pouco. Só por isso estou conseguindo escrever.

A felicidade é desajeitada demais. E distraída. Não registra nada, perde as anotações, esquece a chave e sempre está com pressa.    Já a paz é menina preguiçosa, satisfeita, que não quer ser incomodada. Ok, é justo. Chega de dramas e alaridos. Chega da balbúrdia das vozes internas. A paz só admite sons externos, que não clamam nem reclamam, só sinalizam. Em suas reconfortantes repetições os sons comuns deixam bem claro que a vida continua e sem suspenses. 

Sobra o que interessa:  o som da split velha, do caminhão de lixo, do gato, da lavadora centrifugando, da construção do outro lado da rua,  da panela de pressão fazendo feijão. Sobra o comum, o que não encanta nem incomoda. Sobra a deselegância das pantufas de quem não se importa mais. O visceral sumiu - e quem sou eu para dizer que isso é ruim? 

Não estou reclamando! Eu só queria conseguir transpirar mais um último soneto. Só mais uma rimazinha gentil. Só isso.    

Pois tá aí:  esse é o meu draminha de final de tarde.  

8 de nov. de 2024

O Primeiro Ano do Resto de Nossas Vidas

Hoje resolvi rever um filme antigo que, no passado, realmente tocou meu coração. 

Às vezes um bom filme do passado precisa ser deixado mesmo lá longe, como uma boa memória.  Revisitá-lo pode trazer grande desapontamento, afinal a gente muda. 

Dessa vez resolvi rever O Primeiro Ano do Resto de Nossas Vidas. Ou St. Elmo's Fire, no título original.  Na época gostei demais desse filme e jamais o esqueci.  Foi uma delícia poder revê-lo e voltar a me emocionar como dantes.

Meio complicado falar sobre esse filme porque a sensação inicial, logo nas primeiras cenas, é de que se trata de mais um "Seção da Tarde".   No começo vemos jovens colegas alegres e festeiros namorando, rindo, indo a festas etc.   Mas não, não  se trata de um filme raso.  Pelo menos não pra mim.

O título poderia ser "Friends" pois é também sobre um grupo de amigos. Todos estudaram juntos e  aos poucos se veem forçados a tomar decisões e finalmente serem jogados na vida adulta. Nesse contexto cada personagem tem um desafio a vencer, uma infantilidade ou uma paixão a ser superada.  Não é mais possível empurrar tudo com a barriga e resolver os dramas com uma festa ou uma noite de sexo.  Eles são  confrontados pela vida, que exige decisões, e se veem obrigados a crescer e deixar de bobagens.  A maneira como isso acontece para cada um é dolorosa e comovente. Esse é o cerne da história. 

Coisas, atitudes velhas precisam ser deixadas para trás.  Uma paixão alimentada por muito tempo pode ser paralisante e roubar tempo de vida. Um choque de realidade pode realinhar tudo e libertar a pessoa, permitindo que ela siga em frente.  Nada é mais doloroso e libertador do que  o processo de acordar.

Achei tocante observar a vida de cada personagem tomar forma, se definir.  Cada um vai acordando no seu tempo e criando coragem de tomar as decisões necessárias que vão dar forma ao "resto de suas vidas".

É gostoso a gente se flagrar "perdoando" mesmo os personagens que fazem as maiores besteiras. A gente vai entendendo os seus furacões interiores e acaba achando que "é assim mesmo, faz parte do crescimento" e "nessa idade tudo tem perdão".   Interessante também é perceber que os personagens mais centrados e certinhos são tão complexos e atormentados quanto os malucos e isso nos faz refletir.    Nenhum deles é uma fortaleza.

O amor que julgamos ser eterno pode ser passageiro e o amor que torcemos para ser passageiro pode ser eterno.

O filme consegue nos contagiar com a mesma saudade melancólica que observamos nos personagens quando se despedem de sonhos bobos, amores equivocados e da ilusão de que "nada precisa ser tão sério".  Alguns erros definem todo o nosso futuro, sim.

Na última cena a gente se sente como um deles. Dá uma dorzinha de despedida.  Aquela emoçãozinha gostosa.   É quando percebemos que assim como os personagens crescem, aceitam as mudanças da vida e seguem em frente nós também precisamos crescer,  desligar a televisão e encarar a vida real.   De alguma forma nos sentimos como eles.

Tenho então a dizer que "re-gostei" muito do filme. Para mim não perdeu o encanto mesmo depois de uns 30 anos.

 


Vale uma menção especial para a beleza incrível de Rob Lowe, no auge da juventude, e de  Andrew McCarty,  com sua carinha apaixonada e olhões azuis lindos e  impressionantes. 

Quer ver o trailer? Tá aqui:   St. Elmo's Fire (1985) Trailer #1 | Movieclips Classic Trailers



7 de nov. de 2024

Sonho esquisito

 Essa madrugada tive um sonho esquisito. Posso classificar como "pesadelo". Foi rápido mas por algum motivo me sinto impelida a registrar a experiência. Alguns detalhes acabei esquecendo mas ... vamos lá.

No sonho, devido aos problemas da vida, eu estava decidida a buscar mais as Deus  me dedicando mais à oração. Então, no sonho, eu saía a procura de um lugar propício, onde eu poderia me ajoelhar e orar pelo tempo que minha alma desejasse. Meu marido estava comigo. Ele me seguia, vinha sempre atrás de mim embora eu não o visse. 

Eu me vi em um local que parecia ser uma espécie de "condomínio de capelas". Não havia casas, só capelas para oração, de diversas denominações cristãs.  O condomínio era um lugar calmo e limpo, um lugar agradável.  Passei por várias "igrejinhas"  dando uma olhadela em cada uma, escolhendo onde eu iria ficar. Todas eram pequenas, limpas, agradáveis e simples. Quando eu abria cada porta sempre havia algumas poucas pessoas reunidas orando em silêncio.  Depois de olhar algumas opções finalmente escolhi uma - que na verdade era bem semelhante às demais.  Só escolhi porque achei que no final das contas era tudo mesmo muito parecido, não haveria uma melhor do que a outra, além do mais eu já estava cansada de procurar e queria começar logo a orar.

Só quando entrei é que percebi que a capela que escolhi era católica. Não havia santos nem nada que indicasse isso, mas eu simplesmente sabia.   


Por fora a capela escolhida não se destacava de nenhuma outra. Era toda dentro do mesmo estilo:  Bem pintada de bege, simples ,  de aspecto bem cuidado, silenciosa e convidativa.  Mas por dentro era completamente diferente, o que me deixou surpresa e decepcionada. 

Por dentro era tudo muito velho. As paredes pareciam não terem sido pintadas há séculos.   Não era possível sequer definir a cor das paredes, do piso e dos bancos. Tudo parecia meio cinza, empoeirado, muito gasto e soturno.   O lado de dentro não se parecia em nada com o lado de fora. Por fora era uma construção de poucos anos mas por dentro parecia um compartimento esquecido e recém descoberto de alguma construção medieval.  Os pouco de bancos que havia eram antiquíssimos,  de tábua corrida e sem encosto. Gastos, desconfortáveis, mofentos, empoeirados, como se há séculos ninguém tivesse feito uso deles.  Não era possível ter certeza se eles eram mesmo de madeira ou de pedra.  O ambiente não era nada aconchegante, mas até mesmo um tanto hostil,  como se  tudo dissesse "fique se quiser, mas ninguém te chamou."  

Percebi que havia no local algumas poucas pessoas. Umas cinco ou seis, talvez.  Nenhuma delas estava ajoelhada. Nenhuma estava nos bancos da frente. Estavam todas sentadas mais atrás, próximas às paredes laterais. Todas de olhos fechados. Pareciam estar ali há muito, muito tempo. Suas roupas eram velhas como tudo ali. Pareciam camponeses antigos e cansados.    Todas dormiam. Pareciam defuntos, sentados e imóveis, indiferentes a tudo, de olhos fechados.   Eu sabia que aquelas pessoas não estavam mortas, estavam dormindo, mas o aspecto era mesmo de defuntos. Sabia que elas não me ofereciam perigo algum. Nem perigo nem companhia. Algumas tinham a cabeça pendendo para o lado como passageiros de ônibus sonolentos, cansados, voltando do trabalho.  Eu não tinha intenção de incomoda-las, sabia que elas não me incomodariam de forma alguma e que eu poderia permanecer ali pelo tempo que quisesse. 

Imagino que arqueólogos, ao entrarem pela primeira vez em uma tumba egípcia, sentiram o mesmo que eu senti ao entrar naquele lugar sombrio. 

Decidi ser prática. Deixei para lá o nojo, as más impressões e toda a contrariedade por ter caído no pior lugar mesmo depois de ter feito tanta seleção. Escolhi um lugar para ficar e ajoelhei para começar a orar. Foi quando comecei a sentir uma sensação muito ruim. O ambiente foi ficando mais pesado e eu sendo tomada por um medo crescente.  

Senti que havia ali uma "entidade", um espírito ruim no canto da parede, bem perto de mim. Eu não via, mas sentia claramente  sua presença. Fui me enchendo de pavor.   Então não aguentei ficar ali e levantei  para ir embora, Enquanto me virava para sair eu chamava baixinho pela minha mãe. Comecei baixinho mas fui aumentando o tom de voz  a medida que o medo aumentava: "Mãe! Mãe! Mããããe!"    Eu já estava completamente apavorada mas não conseguia sair rapidamente dali. Nenhuma das pessoas se importou comigo. Nenhuma acordou, nenhuma me olhou.    

Enquanto eu chamava desesperada pela minha mãe, acordei. Meu marido me sacodiu, pois eu estava gemendo na cama. Graças a Deus ele me acordou.

Credo.






 

CRISTIANISMO e a prática da CARIDADE

Você não pode se salvar através da simples prática de boas obras:

1) Usar o próximo para chegar a Deus não funciona. O ser humano não é meio de salvação. Se isso funcionasse Jesus não precisaria morrer na cruz, bastaria ter deixado um punhado de bons conselhos. Sua morte expiatória não faria sentido algum. Quer dizer: sua morte sequer seria expiatória.

2) Praticar caridade é fundamental e faz parte do evangelho. Pode ser um forte indício de que as luz entrou no seu coração. Mas isso não é tudo.
3) Achar que o evangelho se resume à convencer as pessoas a praticarem a caridade acaba fazendo do homem o caminho para Deus. Mas só Jesus é caminho para Deus. Quem precisaria de Jesus se pudesse resolver as coisas por aqui mesmo?
4) Ninguém precisa ser cristão para ser caridoso. Muitos ateus fazem isso de muita boa vontade enquanto ridicularizam a crença na divindade de Cristo. Ou seja: ser caridoso não faz de você um cristão, apenas faz de você um bom cidadão.
5) Se o evangelho se resume ajudar os pobres então Jesus é dispensável. E se você acredita que Jesus é dispensável você não conhece Jesus, jamais teve um encontro com ele, portanto não é nem nunca foi um cristão.
6) Muitas outras personalidades históricas nos inspiram a fazer o bem. Não precisaríamos de mais um personagem só para dizer de novo o que todo mundo já sabia: que fazer o bem faz bem. Jesus veio ao mundo para fazer muito mais do que isso.
7) Jesus não é "mais um".

REALIDADES BRASILEIRAS