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20 de ago de 2017

"As seis falhas mais comuns do pensamento" - Primeira parte: Pareidolia

Gostei muito desse artigo da SUPERINTERESSANTE.  O texto explica que o processo de armazenar informações não é perfeito (isso eu já sabia) e que por isso muitas vezes nos comportamos ou cocluimos coisas baseados em um raciocínio totalmente equivocado.

Aqui vão comentários meus em cima da reportagem da Super. Mas se você acha que meus comentários são mais interessantes do que os "deles", então deixe pra lá e fique por aqui mesmo,com os meus pitacos.


1- Pareidolia

Sabe quando alguém cisma que está vendo a imagem de um santo em uma mancha na janela? Pois pareidolia é isso. Nossa mente tem mania de ver padrão em tudo. E quem é que vai dizer que ela está errada? 


Em minha mente esse fenômeno já faz morada. Só que em outro... nível.

Tenho mania de olhar a minha vida, analisar tudo e procurar um padrão que dê sentido à essa sucessão de acontecimentos desenfreados. Vejo coisas que talvez os outros não vêem. 

Certamente a minha pareidolia é do bem. A do mal nos confunde e nos faz ver tanto bobagens inofensivas (ursinhos nas nuvens) quanto "bobagens nocivas" (fantasmas em nosso quarto).

Com minha pareidolia totalmente do bem, olho fixamente para o filme que é a minha vida e vejo claramente coisas boas onde os outros só veriam confusão. Distancio-me no tempo e olho todos os acontecimentos como quem olha as nuvens e enxerga coisas lindas.  "Tudo aquilo" (tanto o bem quanto o "mal") estavam dentro de um controle maior que só depois, no futuro, acaba fazendo sentido. E é sempre um sentido bom. 

Ou seja: a pareidolia, um erro comum do pensamento, é uma bênção na minha cabeça.  E quem irá dizer que não existe razão nas coisas vistas em pareidolia?


(Continua depois de amanhã.)

19 de ago de 2017

Pessoas

Às vezes acho que se conhecêssemos o coração de cada pessoa, mesmo as más, não as odiaríamos. Acredito que uma pessoa chata já passou por vários infernos até chegar onde chegou. \não foi da noite para o dia.  Às vezes algumas pessoas nos fazem mal porque não sabem direito agir de outra forma. Estão tentando tapar seus buracos interiores, as faltar suas crateras, segurar seus próprios desmoronamentos. Só que o fazem desajeitadamente, piorando tudo, pisando nos jardins dos outros. Há almas que são verdadeiros brutamontes mas não conseguiríamos detestá-las se conhecêssemos o processo por que passaram. Teríamos muita pena. Porque quem faz  os outros sofrerem já sofreu primeiro duas vezes mais. Isso serve como desculpa? Não. Mas é assim que as coisas são. 
Acho que é por isso que Deus nos ama.

15 de ago de 2017

OBSTINAÇÃO



"Quem é injusto, faça injustiça ainda: 
e quem está sujo, suje-se ainda; 
e quem é justo, faça justiça ainda; 
e quem é santo, santifique-se ainda."

Esse é mais u daqueles textos bíblicos meio "esquisitos".  Parece, a primeira vista, que as pessoas não estão sendo incentivadas a mudar de vida enquanto a finalidade da Bíblia seria exatamente o contrário.  Calma, a coisa não é bem assim.

Deixe-me explicar. Esse texto (de Apocalipse 21) está se referindo "aos últimos dias", àquela reta final da nossa era. Está se referindo a um tempo no qual cada um seguirá o caminho que escolheu. Seguindo-o em linha reta, lá mais adiante ficará bem clara a diferença entre uns e outros. A persistência numa escolha é que mostra a qualidade dessa escolha e a qualidade de quem a escolheu.

Ha pessoas que cometem injustiça e há pessoas que fizeram uma opção de vida pela injustiça. Há pessoas que eventualmente fazem o bem mas há daquelas que fizeram uma opção de vida pelo bem, querem o bem e se afeiçoaram a ele. São coisas bem distintas, pessoas muito diferentes, mas a curto prazo parecem farinha do mesmo saco. Não são. É disso que o texto fala.

Dias virão - diz o profeta - em que a diferença entre uns e outros se tornara cada vez mais evidente. Porque dias virão em que as pessoas terão dificuldade em mudar o caminho escolhido. Isso se chama OBSTINAÇÃO: seguir em frente sempre e sempre e não se desviar nem para a direita nem para a esquerda.

Se você desenhar no papel duas linhas retas e se essas linhas forem curtas você poderá jurar que são perfeitamente paralelas e que "caminharão" em linha reta para sempre, até o infinito, sem se distanciarem ou se cruzarem mais a frente. Se as linhas "não fizeram opção por terem a mesma direção", só muito mais adiante é que descobriremos isso. Porque em algum momento o que as diferencia ficará evidente.

O que o Apocalipse diz é que o justo e o injusto continuarão agindo como tais. Só que ainda que no começo eles pareçam alinhados um com o outro, tal ilusão de ótica se desvanecerá no final dos tempos.  O Apocalipse declara que as linhas não estão perfeitamente alinhadas e com o tempo todos veremos que cada uma estava "olhando" para um alvo diferente. 

As diferenças milimétricas se revelarão imensas se você continuar com o desenho por quilômetros.

A pessoa que optou pelo bem mas as vezes age mal e a pessoa que optou pelo mal mas as vezes age bem... Só mesmo numa primeira olhada são iguais. O tempo mostrará que não são. Por isso "continue o justo fazendo justiça e continue o ímpio praticando impiedades" para que a verdade venha a tona lá muito mais à frente.  O justo continuará na prática da justiça e o injusto continuará na prática da injustiça até que a máscara caia. Seguindo em linha reta no tempo e no espaço essas duas opções de vida se revelarão díspares.

Continuemos em linha reta. Mais adiante vamos ver que toda a semelhança entre justo e injusto é mera coincidência.

11 de ago de 2017

Alphonsus de Guimarães

Fosse uma chama, crepitaria
sob meus dedos, na solidão.
Nada mais quero, nada queria.
As noites chegam, os dias vão.

Fosse uma chama, breve arderia,
brasa de sonho, na escuridão.
Já nada quero da luz do dia...
Queima uma estrela na minha mão.

Mas nada quero da luz da estrela...
(Chegam as noites, os dias vão.)
Por que sonhá-la, se vais perdê-la,
alma perdida na solidão?

8 de ago de 2017

A chatice de ser sábio

Por quê ser sábio é uma roubada:
  1. Primeiro porque ser sábio demanda tempo;
  2. Segundo, porque depois de tanto tempo e investimento tudo o que a pessoa consegue é descobrir que não sabe quase nada;
  3. E esse "quasenada" é muito mais do que a maioria das pessoas sabe, o que faz do sábio um ser solitário;
  4. O sábio é um solitário que tem que ouvir o tempo todo que ele não sabe tudo. Isso dito por pessoas que sabem muito menos que ele. Não é um porre?
  5. E mais: 98% desse arsenal leva o sábio a deduzir coisas horríveis para o presente e para o futuro. Logo...
  6. Uma lontra é mais feliz que um sábio.
  7. Saber das coisas não serve como ferramenta para mudar o mundo. Sério. As pessoas que mudaram o mundo não tinham essa pretensão. Foi tudo sem querer.
  8. Saber não muda, mas angustia.
  9. O sábio não tem o poder de obrigar os burros a serem menos burros.
  10. O sábio não tem o poder de impedir os insensatos de fazerem o mal.
  11. O sábio é sempre velho. Velho de fato ou velho precoce.
  12. O sábio nunca é ouvido, só pesquisado - depois que morre.
  13. Para se tornar sábio, o sábio abriu mão de muitas horas de transas deliciosas.
  14. Por generosidade ou sabedoria, o sábio sempre acaba sustentando os filhos dos insensatos (insensatos: aqueles que estavam transando irresponsavelmente enquanto o sábio lia livros).
  15. Ninguém quer saber o que o sábio pensa. Se ele é sábio mesmo, vai acabar dizendo coisas que a população não quer ouvir e se ouvir, não vai entender.
  16.  Ser sábio não é ser esperto. A esperteza é uma falsa sabedoria; é a arte de se beneficiar a curto prazo mesmo por um preço alto. 
  17. Sendo assim, todo mundo gosta muito de ouvir o esperto, não sábio. Por isso estamos como estamos.
  18. Foi um sábio quem disse que "a união faz a força". Ele deve ter suicidado depois de descobrir isso porque também deve ter descoberto que é quase impossível a união para o bem.
  19. Quem pensa, passa. Quem não pensa, passa também. 
  20. O importante então não é permanecer, mas "passar bem". Use Passe-Bem.
 Não me leve a sério. Essa é apenas uma listinha de mal-humor.


4 de ago de 2017

Os livros e o amor

Preciso urgentemente de um livro. Um livro que seja absorvente, encantador, inesquecível.  Preciso de um novo livro como quem precisa de um novo amor e não quer perder para sempre a lembrança do que ele é capaz de fazer por você. Preciso urgentemente de um livro que me engula, me capture, me ponha dentro dele, me torne refém. Que tome as rédeas da minha imaginação me deixando dias sem conseguir pensar em outra coisa.  Quero um livro que seja mágico, que me tire daqui.  Que seja doloroso, talvez.  Seus personagens serão tão reais e bem descritos que eu vou jurar posso reconhece-los na rua. Então quando passarmos um pelo outro pretendo lançar aquele olhar que diz "sei tudo sobre você!"

Já li livros assim. No fim fico de luto, coração pesado.  E vem aquela certeza de que nunca mais vou encontrar outra história igual. 

Quero um livro que me dê saudade, me deixe vazia e sozinha quando terminar. 

Às vezes receio investir tempo e expectativa em outros livros. Temo que o próximo seja chato no início e que eu insista inutilmente na leitura para só tardiamente perceber que perdi meu tempo, que gastei minha alma em vão.

Cada livro fechado é uma proposta tentadora de um novo amor. Estou naquela fase de ter medo de amar, de investir por nada.  Mas continuo precisando urgentemente de um livro.

31 de jul de 2017

Julgamentos

Acho arriscada essa coisa de "não julgar". Ultimamente é tanta gente repetindo essas palavras de Cristo que chego a pensar que nunca houve tanta gente envergonhada em ser quem é e ter feito o que de fato fez. Aí não podendo furar os olhos dos observadores "fura-se suas mentes" com um afiado "não julgueis".

Temos horror a julgamentos. Mas o que são exatamente esses tais julgamentos dos quais temos horror?  Aparentemente temos medo de que os expectadores concluam que de fato viram aquilo que não queríamos ter mostrado. 


Nossos olhos são enganosos. Nem tanto, mas são. Mas quando meus olhos enganosos se associam à minha mente cheia de experiências de vida, aí talvez as minhas conclusões não sejam tão tortas.  Estas conclusões podem clarear meu caminho e me ajudar a tomar decisões, motivo pelo qual é bem perigoso desprezar essa capacidade humana.

Repito a frase com a qual comecei esse texto: acho arriscada essa coisa de "não julgar". Para realmente não julgarmos precisamos acostumar nosso cérebro a não raciocinar com base no que está debaixo do nosso nariz. Só os tolos conseguem fazer isso com facilidade. As demais pessoas precisam treinar. 

"Não julgar"  parece ser algo como ignorar as manchas pretas da banana porque afinal de contas pode ser que ela ainda esteja verde. Não sei como, mas talvez. Um amigo leu em algum lugar que já encontraram bananas verdes apesar das manchas escuras.  Isso é inteligente?

Qual a utilidade de fingir que não estou revendo um filme?  A vantagem certamente não é minha, que compro o ingresso, mas de quem o vende.

Não, as aparências não enganam tanto assim. Podem enganar num primeiro e brevíssimo momento - e só. Depois as aparências são bem reveladoras. Incomodamente reveladoras. E "não julgar" só serve para encobrir quem não está conseguindo esconder o que é.  Acostumar o povo a olhar e não pensar a respeito é útil a quem?

Encontrei essa imagem aqui na internet.  O que pensei? "Belas mãos, lindas unhas. Essa aí nunca lavou uma calcinha na vida. Louça então, nem se fala."  E a partir daí já é possível intuir algumas características dessa pessoa e algumas coisas da sua vida. As conclusões mais erradas não estarão muito longe da realidade. É um exercício mental permitido e divertido. Mas estou julgando? Sim. Estou errada? Não. Por que estaria? Por que não devo me entreter solucionando mentalmente as equações do dia-a-dia?

"Noves fora":  pare de repetir "não julgueis". Geralmente quem abusa desse slogan está tentando esconder alguma coisa ou beneficiar alguém que não deveria ser beneficiado.








26 de jul de 2017

Mochila fosforescente

Se eu pudesse voltar ao passado...

De vez em quando a gente pensa isso, não é? Você já pensou.  Mas será que voltar é algo desejável mesmo?  Ou você só quer algumas cenas específicas, selecionadas?

Claro que você só quer algumas cenas. Duvido que encare o pacote inteiro.  Conheço você!  Todos temos ceninhas de cinema salpicadas ao longo de nossa vida chocha. São elas que queremos, jamais o todo. Deus sacou isso, bateu pé ("Ou leva todo o pacote ou não leva nada!")  e por fim nos tirou o direito à marcha ré.

Tudo bem, mas se você tivesse ré, voltaria ao passado?  Já sei o que vai me perguntar:  "- Passado? Mas de qual passado você está falando?"    Boa pergunta. Você é esperto.

Considere que não há um único "passadão" para nos referirmos.  Mesmo as piores novelas são divididas em capítulos. Sendo assim há um monte de "passadinhos" pra escolher em nossa tosca prateleira.  E esses "passadinhos" estão classificados e acondicionados em vidros separados: o do Passado Remoto, Passado Antigo e Passado Recente. Qual dessas velharias lhe seduz?

O passado antigo esmaece enquanto o recente é fresco e vivo. Desse ouço até vozes e cheiros. Parece estar ao alcance da minha mão. É convidativo, acolhedor e aparentemente acessível. Só aparentemente. O presente, quando vira passado, solidifica. Torna-se impenetrável como uma rocha.

Sabe, não há fantasia mais doce do que acreditar que podemos retornar a cenários antigos para retomar o fio da meada e viver feliz para sempre, dessa feita sem mancada.

Quando melancólica me dedico à nociva atividade de consolar-me com essa idéia de voltar a fita. Felizmente passa rápido.  "Felizmente" por quê? Raciocinemos: voltar ao passado sem a cabeça e as informações do presente não teria graça nenhuma. Que graça teria voltar sem a consciência dessa volta?  Não seria "voltar e curtir de novo"  mas apenas repetir a mesmíssima história sem chance de melhora-la. Você quer? Duvido.

Seria como ver novamente o mesmo filme: os personagens não sabem que aquilo tudo é repetido. Aí todo mundo repete as partes chatas. Não dá.

E a segunda opção? Voltar ao passado com a cabeça e as informações do presente?  Também não dá. Eu não sou mais a mesma. Seria como colocar o personagem de uma novela em outra novela.  Hoje há novas alegrias, novas mágoas, novos personagens, novas conclusões, novos sentimentos. E ainda por cima falta um monte de persnagem da história.  Como retomar a minissérie nessas condições?

Nada de hoje cabe no que passou. Voltar ao ontem com a cabeça do hoje? Impraticável.  Ao voltar, mentalmente me vejo carregada de novas histórias que não caberiam naquele enredo. Fica absurdo, uma coisa assim como... como uma mochila fosforescente colada em minhas costas em um cenário do século XIX. Não dá.

Uma reconstrução nada mais seria do que uma imitação deprimente do filme original. Não há passado para o qual voltar. É tolice pensar que ele está nos esperando. Não está. Cada dia o nosso passado fica mais diferente de nós mesmos. Se voltássemos ele não nos reconheceria, nem nós a ele.

Mesmo assim há dias em que, teimosamente, gosto de pensar que posso. Ah aquelas cenas!  Não deveríamos nos impressionar com essas lembranças. Se chegássemos lá, no passado, constataríamos que a coisa não era bem assim como a gente lembrava.  Nossas lembranças são altamente tendenciosas. Nada era do jeito que está arquivado na nossa cabeça.

Tudo o que eu tenho é o hoje e o que hoje eu sou (e que deixarei de ser daqui a pouco). - "E isso não é bom?"  Sei lá.  Mais pra frente, se eu sentir vontade de voltar, é sinal de que foi.

22 de jul de 2017

Quem sou eu?

Aconteceu de novo:  em minhas postagens antigas, jurássicas, encontro um texto ou poema do qual não me lembrava de jeito nenhum. Gosto, então leio e releio mas não o reconheço. Não lembro de ter escrito. Os maus textos lembro muito bem mas dos bons eu duvido. Estranha sensação.

Veja: quando posto textos de outros, sempre indico o autor. Claro! Mas quando o texto é meu geralmente não assino no final. Algumas poucas vezes sim mas geralmente não o faço porque se está em meu blog fica subentendido que o texto é meu. Não precisa no final colocar toda vez Cristina Faraon.  Certo. Mas é muito esquisito quando não lembro de ter escrito aquilo. "Será que esqueci de colocar o nome do autor?"    Ás vezes gosto tanto do texto que não acredito que tenha escrito aquilo. "Acho que eu não teria conseguido escrever isso. Não deve ter sido eu não!" 

Cara, nem eu acredito em mim! Se eu assumir o texto como meu posso passar vergonha lá adiante. Posso ser ridicularizada e acusada de plágio. Mas também é tão incômodo deixar como anônimo! Uma injustiça comigo mesma em meus poucos momentos inspirados.

Será que me tenho em tão baixa conta que desconheço meus melhores textos? Seria como uma mãe renegar o próprio filho só porque ele é bonito. 

18 de jul de 2017

Das tolices femininas


O mundo olha para trás comemorando como grande avanço o fato de as mulheres chinesas não precisarem mais se submeter àquela prática antiga horrorosa, de deformar os pés das meninas para fazê-los parecer pequenos. Homem algum desejaria uma mulher com pés "grandes" (normais). A deformação as tornava irresistíveis.

Felizmente o mundo mudou! Mudou?

Nós mulheres somos mesmo umas bestas, essa é que é a verdade. Em minha vivência no planeta Terra tenho notado o seguinte: na verdade homem com fome come qualquer baranga e não reclama muito. Pezão, pezinho, sem pé, morre de todo jeito. Eles querem mesmo é "aquilo" e "aquilo", como todas sabemos, é praticamente padronizado e com nível de beleza inferior a zero. Sabedoras disso, para se destacarem, as mulheres "espertamente" oferecem detalhes diferenciais que jamais haviam passado pela cabeça dos homens nem como necessidade nem como fantasia. Todos os truques femininos são simplesmente femininos, jamais passaram pela imaginação masculina por um simples motivo: homem não tem muita imaginação. O lance é futebol, cerveja e mulher disponível e bem disposta quando ele quiser - não necessariamente nessa mesma ordem.

Eles nunca, mas nunquinha da silva, notariam que temos dedos, menos ainda cutículas. Por quê cargas d'água iriam desejar que essas malditas cutículas fossem zelosamente extirpadas toda a semana? Mas nós oferecemos isso como diferencial, eles se acostumam e a gente entra pelo cano. Pior: sem garantia de que o contrário aconteça, se é que vocês me entendem.

Isso é só um exemplo. Estamos enredadas em centenas de teias semelhantes e eles lá, só deixando a barriga crescer. Claro que as mulheres odeiam o visual "homem grávido" mas ficar sem homem? Nem pensar! Vem grávido mesmo que a gente brinca de parteira.

Como eles se uniram em seu nada fazer, 95% das mulheres que gostam de homem acabam se conformando e ficam alegremente com seu espécime mal-cuidado pois ainda que não seja bonito, pelo menos cumpre sua finalidade biológica e nós estamos doidas para cumprir a nossa.

Se as mulheres se unissem na mesma indolência vocês acham que eles ficariam sem mulher? Claro que não! O que acaba com a gente é a competição.

Tenho duas constatações, uma boa e uma má:

1) Os homens não mudaram em seu afã devorador;
2) As mulheres não mudaram em seu afã competidor.

Azar o nosso.

14 de jul de 2017

A água da lua



Procuram água na lua...
Mas há uma mulher triste
Que come tantas pipocas
Em frente da televisão!
E ninguém a encontra...


Estão procurando água na lua...
Mas há uma mãe desesperada
Pelo menininho que não voltou.
Quem sabe lá o encontrem quietinho
Talvez até meio azulado...

Procuram água na lua...
Mas não encontram quem abusou da menina calada
Que não consegue explicar
Nada do que aconteceu.

Por quê não encontram um jeito de achar
O caminho do seu coração?
Mas já foram à lua! Só falta encontrar água.

A água da lua talvez seja ácida
Talvez radioativa
Quem sabe cancerígena
Maleficamente prateada
Talvez magicamente produza
Daqueles enormes diamantes
Que serão nossa desgraça
Porque são da lua irada!

Tenho medo das coisas da lua
Mais do que das coisas da Terra


Talvez achem água na lua
Antes de encontrarem o empresário sequestrado
Ou o traficante rival, magro e assustado
Com sua manorada grávida.

Sinto já um certo frio!
Não quero começar a ter medo...
E se a lua se ferir
E jamais nos perdoar?

11 de jul de 2017

Interligados

Assista qualquer um desses pequenos vídeos  AQUIAQUI e AQUI  O que você sente? Uma vontade de pegar, cheirar, amassar, botar na boca, brincar...  É gostoso de olhar e ao mesmo tempo incômodo porque só podemos mesmo olhar embora nosso cérebro nos impulsione a tocar. Não é?

Ninguém me  critica por dizer isso que acabei de dizer. É natural, é assim mesmo. Nós, os seres humanos temos essas peculiaridades.  Algumas coisas nos provocam certos efeitos - previsíveis ou não. Às vezes o efeito é bom. Outras vezes o efeito é apenas provocativo, nem bom nem ruim. Mas inegavelmente algumas vezes é ruim que provoca. Há coisas que dão agonia.   Um vídeo mostrando
alguém Por questões políticas você só pode ter sensações agradáveis ou interessantes com o que vê. Se algo lhe faz mal ou incomoda tal efeito não é reconhecido como natural. Toda a teoria a respeito da natureza das coisas terá então que ser subvertida. Teremos que passar a fazer de conta que não estamos todos interligados e que o que está fora de nós não nos afeta de forma alguma e que "toc" não existe.

Há motivos para, por convenção social, algumas coisas não serem feitas na cara de todo mundo. Defecar na frente dos outros, por exemplo. É um ato totalmente natural. Todo mundo faz. Mas afeta
quem vê, incomoda, motivo pelo qual é feito longe do olhar das pessoas. Sexo também é feito fora das vistas porque afeta, necessariamente. Não é toda hora que as pessoas querem ou podem se excitar. Mastigar de boca aberta... limpar os dentes com fio dental... Tudo nos afeta de alguma maneira. É idiotice querer negar. Portanto não critique quem se importa. Só os autistas não se importam com nada nem se afetam.

Odeio incoerências.