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3 de dez de 2011

Lei da palmada


 Novamente vem à baila a mesma fuleiragem de quererem proibir os pais de darem palmadas nos filhos pequenos.

Em um equívoco típico de burocratas sem noção de realidade, confundem PALMADA com ESPANCAMENTO. São duas coisas tão diferentes e obvias que só de pensar em explicar já me dá canseira.

Não defendo a tese de que temos que sair por aí "embolachando" todas as crianças. Isso seria uma tremenda ignorância. Também sei muito bem que um castigo pode valer mais do que mil palmadas, é verdade. Alguns pais se gabam de que nunca levantaram a mão para um filho. Ótimo. Há crianças dóceis, tranquilas e há crianças que se emendam com castigos.  QUE MARAVILHA SE TODAS FOSSEM ASSIM! Mas a realidade é outra.  Há crianças com temperamento fortíssimo, geniosas, que são capazes de levar um adulto à loucura. E aí?

Detalhe que ninguém diz: segundo esse projeto de lei, não são apenas as palmadas que são proibidas. AMEAÇAR TAMBÉM SERÁ CRIME. Sim, dizer que "se você não parar de chutar a cristaleira, vou botar você de castigo!"   - pode configurar "tortura psicológica" e levar uma mãe à responder criminalmente.

Ao invés de inventar novas formas de ingerência na nossa casa, o Governo deveria inventar novas formas de ingerência na conta bancária dos políticos, isso sim.

Só sei de uma coisa: uma criança que leva palmada do jeito certo, sem crueldade e na hora certa está mais propensa a daqui a pouco sentar pra dialogar do que uma que não recebe nenhum tipo de punição por suas birras.

Os políticos, "sociólogos" e "educadores" acham que os pais tem que "dialogar" com as crianças. Também acho. O problema é convencer uma criança a sentar, cruzar as pernas e dialogar com os pais quando tudo o que eles querem é chutar a babá. O difícil é dialogar com uma criança que se joga no chão do supermercado gritando porque quer um pacote de biscoito recheado com gorduras trans.

Tenho certeza de que enquanto esses psicólogos e teóricos estavam se transformando nisso que são agora (estudando e trabalhando fora de casa para fazer nome) seus filhos estavam sendo criados por babás ou parente.  Eles chegavam em casa só a noite, depois que os moleques já tinham aprontado todas. Assim é fácil dizer que não precisa dar palmadas. Sem precisar estar por perto, sem precisar ouvir berreiro de birra, sem precisar levar chute na canela, qualquer um teoriza merda.

Repito: NENHUM DESSES POLÍTICOS JÁ SE VIU UMA SEMANA CUIDANDO DE TRÊS CRIANÇAS 24 HORAS POR DIA.  Deveriam passar por um estágio para depois terem altitude para legislar sobre a vida dos outros.

A quase totalidade dos que são conta jamais ficaram dias, meses e anos INTEIROS cuidando e educando crianças. Jogavam (e ainda jogam) na mão de outros. Repito: assim é muito fácil.

A atual geração já está suficientemente estragada por ter sido criada por babás que não tinham o poder de educá-las. Hoje temos adultos que não respeitam semáforos, que xingam o policial, que riscam o carro do professor, que não respeitam garagem, que são uns primatas. Culpa das babás? NÃO! Elas não tem autorização para educar nem dar palmadas. São pagas só pra cuidar da integridade FÍSICA das crianças. Elas fazem a parte delas.

Crianças maiores que já foram educadas desde pequenas não precisam apanhar porque já respeitam e também já tem condições de entender um diálogo mais longo. Bater é o último recurso, mas é um recurso.

O que fazer com uma criança que (por exemplo) não cansa de lhe chutar e bater, mesmo depois de você explicar para ela que aquilo não é aceitável? E se ela resolvem arranhar todos os móveis?  E ser ela te desafiar - como é comum nas crianças - e não quiser papo? Você vai continuar levando chutes, ouvindo berros e tendo os móveis depredados enquanto teoriza?

Se um de seus filhos estiver sendo cruel com o irmão? Se diálogo não adiantar?

Se diálogo resolve tudo, mandem os juízes dialogarem com os bandidos para convencê-los a pararem de fazer o mal. Se diálogo resolve tudo, soltem os maridos espancadores e apenas conversem com eles.

Sim, estou dando exemplos drásticos porque na vida de milhões de brasileiros acontecem coisas drásticas. Nem todas as crianças são como os Ursinhos Carinhosos.

Respeito é o que ser quer, e respeito não é igual a medo. É verdade, mas respeito se aprende; não é acessório que já vem de fábrica. Quando somos mais maduros sabemos a diferença entre respeitar e ter medo. Só que AS VEZES a lição precisa começar com o medo de ser punido.

As leis podem mudar nossas vidas para melhor ou para pior, mas elas não tem o poder de mudar a natureza humana.

A diferença entre impor limites e impor vontades só é perceptível à criança quando ela é mais crescida e já aprendeu a obedecer, sentar e conversar. O respeito vem junto. São níveis de entendimento e educação. Vá tentar colocar a sutil diferença em prática quando seu filho de três anos insistir em jogar o controle da televisão no chão.

Se uma criança não levou palmadas na hora certa, NÃO PENSE QUE QUANDO ELA CRESCER VAI SENTAR PRA DIALOGAR COM VOCê. Todos os dias vemos adolescentes que não querem ouvir os pais e são uns terrores.


Crianças retraídas e sufocadas não são as que foram corrigidas eventualmente com alguma palmada, mas as que foram maltratadas. Não é a mesma coisa.


É mais fácil que os pais que deram palmadas sejam amados e respeitados no futuro do que pais banana ou ausentes. Pais bananas SEMPRE criam rebeldes insuportável e é mesmo o que merecem.


Se você não exige obediência, acredite: quem vai acabar obedecendo é você. Isso é tão certo e inevitável quanto o dia se seguindo à noite.


TODOS OS DIAS ME DEPARO COM PAIS PATETICAMENTE OBEDIENTES aos seus filhos. E vejos crianças que se tornaram ditadoras e impôe sua vontade aos pais sem se preocuparem se aquilo é ou não aceitável no âmbito da lei e da psicologia.


O projeto de lei do governo federal que prevê punição para quem aplicar castigos corporais é um equívoco ridículo e lamentável de pessoas que NUNCA CRIARAM PESSOALMENTE SEUS PRÓPRIOS FILHOS e que fariam um grande favor se pelo menos não atrapalhassem os que estão criando e querendo educar.
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