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30 de jul de 2008

O charme dos loucos



Por algum motivo os loucos exercem um certo fascínio sobre nós, que temos a mente perfeitinha e calibrada. Nietch já falou sobre isso...


Acho que a loucura oferece a coragem de ser. Não há maior loucura do que SER o que se é. Nada sai mais caro, nada é mais revolucionário. Por isso que as pessoas bebem, fumam, cheiram, picam. Pra pirar um pouco, pra ter um álibi e sair da jaula da normalidade. Acho que no fundo todo viciado em drogas tem a esperança de não ficar normal nunca mais.


Todos respeitam os loucos. Todos se vêem forçados a entender e respeitar suas limitações. Você não suporta Fulano e Beltrano? Mas você TEM que entender que eles são limitados! Você que é "normal" TEM que dar o desconto, não pode se trocar com aquela pessoa, débil mental."


Limitados? Limitada sou eu. Os loucos são livres. Sei lá... No fundo acho que todo louco é um espertalão.


Se eles secam o pneu do seu carro tudo bem. Se armam um barraco por nada, temos que entender. Se falam merda, damos o desconto. Agora vá você fazer tudo isso sem a devida habilitação!


No dia que inventarem uma Carteira de Identidade de Louco, você vai ver o capilé que vai rolar por debaixo do pano para os "normais" conseguirem uma. Todo mundo vai querer! Serão meses e meses na fila de espera! E quem tem um amigo no alto escalão vai conseguir para os amigos.


O negócio é sério. O filme do Batman é um exemplo.: os loucos sempre são o ponto alto. E o Batman só tem essa moral toda porque é todo traumatizado, gótico, esquisitão.

Nas bandas de Rock é a mesma coisa: quanto mais aloprado o cara for, mais admirado ele é. O Ozzie Ourbourne não diz coisa com coisa. 80% da mente dele virou geléia e ainda assim tem um monte de fãs.


Roupinhas comuns são sinônimo de chatisse, falta de imaginação e de personalidade. Agora pinte o cabelo de azul e se encha de piercing e veja se alguém tem coragem de furar a fila na sua frente. Sério, pode fazer o teste. Claro que você terá uma certa dificuldade em conseguir emprego porque quem emprega quer alguém previsível como uma máquina.


Já sei: quando eu tiver que resolver algum problema com cartão de crédio, banco, órgãos públicos, companhia telefônica ou outros lugares especializados em atrasar nossa vida, irei com um sapato diferente em cada pé, boca pintada de preto e uma cruz enorme no peito - além de unhas verdes. Vou entrar falando alto e e com os olhos arregalados. E vou furar fila. Tenho certeza de que ninguém vai reclamar e em em menos dez minutos todos os meus problemas se resolverão. É o método Tabajara de viver bem.


Cristina Faraon



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