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1 de jun de 2014

Óleo com óleo, água com água

A gente escolhe um caminho e nele segue para sempre. É um princípio da física: sem oposição, após um impulso inicial teremos um movimento ininterrupto em linha reta.

Nem o sujeito mais descrente é capaz de negar que a luz segue viagem pelo universo para sempre. Luz é energia. O que move meu corpo é energia. Quando esta energia se desprender do corpo terá o mesmo destino da luz: seguir viagem. Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma. Meu corpo se acaba e se transforma, mas minha energia segue. Não há nada de "espiritual" ou religioso nisso.

Aliás "espiritual" é um termo usado para nos referirmos a realidades e "materiais" desconhecidos em nosso planeta. O termo serve para rotular as coisas que sabemos ou intuimos que existem, mas não temos dados para explica-las ou classifica-las.

Tudo é só uma questão de rótulo mas a realidade é uma só. O conhecimento é indivisível. Tudo é ciência.

Se eu me apego a maus sentimentos e abrigo como preferência a insensibilidade, futilidade, egoísmo, ganância, ódio, se me volto apenas para meu instinto animal e sigo nesse caminho como opção de vida, será que quando meu corpo se acabar esse tipo de energia se perde? Como se perde, se nada na natureza se perde? E como posso supôr que esse tipo de energia é idêntica à do que chamamos de "Bem"? Não podem ser idênticas.

O que somos de verdade, a nossa essência ou energia, ela está presa nesse "vaso de barro" que chamamos de corpo. Por estarmos presos, não temos como nos unir apenas às pessoas que têm a essência igual à nossa.

Imagino que tudo isso seja como se a vida fosse uma mistura de água e óleo constantemente sendo sacodida no garrafão da Terra. Quando o movimento pára o óleo se junta com o óleo e a água se junta com a água. Simples assim.

O conceito de "Céu" e "Inferno" não passa disso: um jeito simplificadíssimo de explicar para as crianças  (nós!) realidades por demais complexas que estão muito além da total compreensão delas.  Faz mais sentido quando retiramos disso tudo o conceito de bom ou mal e nos prendemos apenas à idéia de pólos que se atraem ou se repelem. Quando pensamos em naturezas distintas e irresistibilidade de atração. Todos sabemos o que é uma atração irresistível.

Balões. Uns tem oxigênio; outros tem gás hélio. Todos estão presos no mesmo ambiente. Quando se soltarem, os que tem ar vão para uma direção e os que tem gás hélio vão em outra.

Posso passar a mesma idéia de outra forma: e se o que chamamos de "mal"  for uma matéria real no universo? E se for uma espécie de ímã gigante que atrai para si todas as partículas de sua mesma natureza?

E se o que chamamos "bem" também for assim, tipo um ímã gigante ou ralo cósmico que engole tudo que caminhe para a sua direção?

E se em vida eu acumular em mim "matérias" de uma mesma natureza a qual será inevitavelmente atraída por um imenso "aspirador" tão logo se solte?

O que acontecerá quando esse "balão de ar" for solto sem amarras?

São as escolhas da juventude que determinam como seremos ao ficarmos velhos. Será que as escolhas na Terra não determinariam para onde nossa energia, uma vez livre, será atraída? A verdade não é uma só? A ciência não é uma só? Por que supor que o resto do universo seria regido por leis completamente diferente das da Terra? Não, o nosso planeta é apenas um e bilhões, e está inserido no mesmo contexto de tudo o mais que existe aqui ou além.

E se o grande ímã cósmico estiver levando para si quinquilhões de energias que tenham a mesma carga, ou natureza:  será que por fim isso não seria a definição de "Céu"?   Agora imagine o contrário: um lugar onde todas as energias desenvolveram o que existe de mais negativo. Como dizer que isso não se parece com "inferno"?

E mais:  se nenhuma informação se perde e se os sons continuam para sempre a atravessar o universo (sabemos que é assim que acontece)  por que supor que a energia que nos move não carrega consigo nenhum "giga" ou "byte"  da informação contida nos sons? Será que nenhum "arquivo eletrônico" acompanha essa energia?  Se na Terra andavam juntos, porque seria tão improvável que no "éter" se desprendam?

Se os sons/informações não acompanham a energia, então para onde vão?  Será que iriam, necessariamente, em direção oposta?

Minhas lembranças têm sons. Lembro da minha voz cantando, falando com minha mãe, brigando, recitando versos,  chorando, contando histórias. Sons... dados.. consciência... imagens... energia... Você tem certeza absoluta de que são coisas distintas que certamente se desprenderão umas das outras?

Olho para as estrelas e continuo pensando nisso... Você nunca parou para fazer essas considerações?
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