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20 de jun de 2007

Arraial do Pavulagem


Pensei que meu coração estivesse endurecendo, ressencando. Felizmente ele deu sinal de vida quando ouvi no rádio uma das músicas do Pavulagem. Bateu emoção, bateu coração e o corpo todo entrou no clima.

É lindo o boi, as fitas, os chapéus de palha, o colorido arregalado na Praça da República. Gosto de ver as meninas de saia comprida, rasteirinha e muita graça. Graça de graça. Toda a graça!

Pavulagem só fala de coisa bonita, só evoca alegria e cores, cores, cores!
Pavulagem é irresistível e inofensivo. Apaixona mas não maltrata, só afaga e convida pra dançar.

Pavulagem aceita todo mundo, daí o nome de um dos eventos: Arrastão do Pavulagem. Quem gosta está lá, meio enfeitiçado. Até quem se veste de preto, venera a noite e está casado com a lua. Verdade! Até os bichos da noite escapolem de suas tribos pra se colorir no Pavulagem, na mais irresistível das traições.

Seus músicos não se parecem com estrela. São artistas mas a gente olha e só vê gente do bem e do bem-querer. Todos tem cara de vizinho da gente, amigo de infância, tio da melhor amiga, amigo do melhor irmão, afilhado da mãe, namorado da irmã, professor de violão, fazedor de pipa, primeiro namorado. Todos a gente conhece há um tempão, mesmo que não conheça.

Pavulagem também tem lua mas é mais do sol. Pelo menos para mim é desse jeito. Colorido, quente e irrequieto como criança feliz. Espanta tristeza, pega a gente pela cintura e sapeca um beijo de vida assim, entre um batuque e um acorde, no meio da vida. Pega a gente de jeito.

Sei lá, até parece até que no arraial ninguém tem problema. Parece que ninguém sofre por amor, estão todos felizes e bem resolvidos.

Quer saber? Naquele tum-tum-tum gostoso tá tudo certo mesmo!

Pavulagem é só carinho.
Um beijo pro boizinho!
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