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10 de set de 2007

Mea-culpa



Contra todas as minhas previsões, domingo foi o melhor dia em Salinas.

Com um pessimismo detestável, imaginei que encontraria uma multidão grudenta, barulhenta e bêbada fazendo careta pra mim.

Nada disso.

Quando chegamos ao Atalaia não dobramos à direita, como de costume. Fomos para o lado esquerdo, do Farol Velho - local onde a maioria das pessoas ainda reluta em acionar o “treme-terra” de seus carros. Havia apenas um mal-elemento com o som ligado, mas estava distante. Não tive muita dificuldade em ignora-lo. Só lamento que isso não tenha trazido a ele nenhum tipo de dissabor.

O sol estava absolutamente de-si-ni-bi-do! Silêncio ... árvores fazendo chique-chique, cerveja cristal bem geladinha... E pra completar, graças a Deus eu pego um bronze super rápido. Uma salva de palmas para as minhas raízes africanas!

Brancos, mordei-vos de inveja!

Ontem eu realmente senti aquela vontade gostosinha de continuar na praia mais um pouco e mais e mais... Depois ir pra água, voltar, fritar novamente ao sol, voltar pra água, tomar várias cervejinhas... até observar que as nuvens não seguem mais seu caminho retilíneo. Ao contrário: ficam dando curiosas voltas no céu, numa ciranda muito fofa! Que coisa, né? E então começar a rir muito disso tudo. Mas não é mesmo hilário? E o mundo é uma bola, as bundas bem-sucedidas também são bolas... e os peitos... e os pintos tem bolas!

Pena que cerveja engorda.

Mas por que estou escrevendo isso? Para dizer que Deus se aborreceu com minhas considerações anteriores com respeito a Salinas e me castigou no domingo.

Sabem como? Vou contar: quando a água estava mais mansa e clara; quando o silêncio se fazia até sentir; quando as palmeiras ensaiavam um feliz rebolado e as nuvens começavam a dar-se as mãos para organizarem aquela ciranda divertida e quando o vento tentava enfiar a língua na minha orelha... aí a “galera” resolveu ir embora para “fugir do engarrafamento”. Dá pra acreditar?

Argumentei contra. E eu lá sou de ficar calada? Sim, expliquei com a mansidão dos cordeirinhos que nós não tínhamos filhos pequenos nos esperando e que também não precisávamos nos comportar como se tivéssemos que bater cartão de ponto. Não adiantou. Também não me rebelei. Reconheci o castigo divino.

Para eu deixar de ser besta. Mereci! Bato no peito sete vezes confessando compungida: “Eu mereci, Senhor! Jogai um raio em minha cabeça! Afligi-me com piras!”

Nelson me fez lembrar que antes de chegarmos à praia eu havia concordado em que retornaríamos cedo. É verdade, concordei. Mas não pensei que justamente ontem a praia me pareceria tão ampla, sorridente e menos povoada. Poxa, não tenho bola de cristal! Passei alguns minutos tentando explicar a ele que eu havia concordado mas que daquele momento em diante eu “desconcordava” oficialmente.

Ele não conseguir entender o conceito de “desconcordância”. Para mim parece tão claro! Sei lá, acho que eu não soube explicar.

Com a alma esperneante pagamos a conta e fomos embora.

Mea-culpa! Mea maxima culpa!

Cristina Faraon



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