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17 de mar de 2008

Eu quero a minha jaca!


Meia noite: horário fatal em que zumbis, vampiros, fantasmas, bruxas, almas inquietas e outros subprodutos das trevas vagueiam por aí procurando emoções. Deve ser frustrante essa procura. São todos uns morto-vivos! Claro que o "emociômetro" está desativado há séculos.

Qual a espectativa sobrenatural para a meia noite? O que podemos esperar de inusitado?


Quando criança eu ouvia histórias de que os brinquedos ganhavam vida a meia-noite; bonecas saíam de suas caixas, soldadinhos escapuliam das prateleiras, todos brincavam a noite toda, curtiam adoidado, namoravam, guerreavam, viviam todas as fantasias impostas pelo fabricante. Depois iam para os seus lugares com a cara mais lépida.

Feitiço da meia-noite... Na caixa do meu cérebro nao encontro mais compartimentos para essas fantasias. Chato. As crendices são burras mas interessantes. Quando a gente acretida em coisas do além somos cercados por emoções bem especiais.

O que posso esperar de "encantado" para depois de um dia de trabalho? Se tiver sorte, sono. E se tiver mais sorte ainda, sonhos malucos. Isso!

Adoro sonhos malucos. Ultimamente tenho sido brindada por vários deles. Quanto mais desvairado melhor.


Esses dias sonhei com um simpático bode voador que visitava todo o prédio onde, no sonho, eu residia. Ele fazia suas rondas diárias janela por janela. Era branco e suas asas, postiças. Mas funcionavam perfeitamente. No sonho eu tentava decifrar o significado daquela ronda; tinha que haver um motivo profundo para que o bode voador se sentisse impelido a visitar todas as janelas do prédio. Era uma missão, algo misterioso e coberto de significado... Hummm.... Aí acordei. Foi quando descobri que a missão do bode era apenas me entreter. Nada mais nobre.


Sonhos que se parecem com a vida real não tem graça nenhuma. Ora, se estou dormindo e disponibilizo minha mente aos sonhos, é justamente para poder meter o pé na jaca! Exijo minha jaca assim que eu fechar meus olhos!

Sonhar que estou numa fila de banco? Que almocei feijão com arroz, que terminou o crédito do celular, que o barrigudo da esquina está me cantando? Pelo amor de Deus, acordem-me com uma tijolada amiga.

Mal vejo a hora de chegar a próxima meia-noite!


Cristina Faraon
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