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10 de fev de 2012

O mistério de Eva


De fato não tenho condições de falar nada que já não tenha sido dito a respeito do Holocausto em si, mas o tema suscitou em mim outras considerações que posto aqui, sabendo de antemão que que não passarão para a história.

Vi e revi o filme A Queda. Assista. Embora a figura de Hitler esteja um tanto manjada ele permanece em minhas impressões como um ET inexplicável. Uns dizem que ele era doido varrido, outros juram que ele sabia muito bem o que estava fazendo. Como vou saber? Pra mim ele tinha o pior da loucura e o pior da lucidez. Deixa ele pra lá. Estou enjoada da imagem feiosa de Hitler e seus clones holywodianos.

Dessa feita quem me impressionou no filme foi sua mulher, Eva Braun. Ela não me saiu da cabeça. Gestos, riso, roupas, porte físico, penteado... Vi uns quinhentos vídeos dela no Youtube. Ela sozinha, com amigas ou com seu estranho marido. Conclusão: ela também era estranha. E mais ainda do que ele.

Era estranha por ser cheia de vida, pela sua imensa simpatia, juventude, energia, meninice, educação, sensualidade. No filme era mostrada assim e nas imagens da vida real notei que o filme foi bem fiel. Pode ir lá conferir.

Ela e Hitler pareciam mais um malabarismo do que um casal. Ela parecia não ter nada a ver com ele! Mas pela lógica, tinha sim. Ele tinha cara de mau; ela não. Ela parecia ser o seu oposto. Melhor desconfiar.

Para mim Eva Braun é um desafio e uma provocação. Esse casal nos mostrou que o mal pode ter muitas caras e que frequentemente escapole às redes da nossa percepção. 

Eva: jovem, ágil, irrequieta, gentil, sempre sorrindo. Sempre sorrindo? Como assim?  Fiel a Hitler como um cão. O que não faria sob as ordens dele? 

Para não nos confundir, bem que ela poderia ter nos feito o favor de aparecer infeliz nas fotos. Mas não, ela era estranhamente sorridente e alienada de tudo. Morbidamente feliz e de aparência leve. Quando escondida sob essas aparentes virtudes, a maldade surge de forma mais assustadora ainda.

Talvez, talvez. Tudo aqui é talvez.

É desconcertante notar, no filme, que Eva era a imagem da alegria esfuziante. Daí deduzo o quanto o nosso método de percepção e avaliação da maldade humana é falho. Estamos mesmo em maus lençóis.

Só há uma salvação. Só há um consolo. Existe a chance de que Eva tenha sido mesmo assim, meio maluquete como o filme sugere. Uma criança tolinha e gentil, flutuando em um mundo paralelo. Pateta, mas boa gente. Tomara. Se foi, o mundo ainda tem esperança. Se não foi... preciso reavaliar meus conceitos.
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