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22 de out de 2008

Poema sem sentido


Amor se mede?
Na balança:
Sexo, companheirismo,
Capacidade de ir levando
Indefinidamente.
Indefinidamente?

Qual a prova incontestável do amor?
É treinar a surdez dos sentidos
Para não enlouquecer?
É enlouquecer tranquilamente
Como quem sangra?

Bebedeiras, surras homéricas?
Traição, ração rala, goteira,
Mau cheiro, pobreza extrema?
Tanques de roupas sujas?
Dormir no chão?
Invisibilidade mútua?
Fome, muita fome?

Qual o peso do amor?
(Não há aferidor mundiamente aceito...)
Pense nos calos do seu amor:
Quanto ele te cobra
Por passar uma temporada?
Qual o preço de capinar
Seu triste jardim no inverno?
Quais os calos do seu amor?

Um escarro - um beijo de língua
Outro escarro - eu te amo.
Um cuspe - você é tudo pra mim.

Esse poema não faz sentido...

Cristina Faraon
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