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2 de fev de 2009

Questões de eternidade


As vezes as trocas de e-mails entre duas amigas podem ir além da receita da torta, da "última da empregada" ou da seção de esquartejamento de maridos. Sim, é possível enveredar suavemente para terrenos enevoados e atraentes e tratar sobre vida e morte, além de outros mistérios. Claro, porque não tem graça nenhuma tratar só do obvio. Amiga é pra embarcar nessas viagens astrais também. Não se chega a lugar algum mas o que vale é arrumar as malas. Aqui vai uma pequena sequência de e-mails profundos. Esse primeiro é apenas um pretexto para começar.

FULANA

"Querida amiga: Estou esticada, inchada e horrorosa. Com tempo sobrando vem as crises existenciais. Sinto-me agora a mais fútil das mulheres, totalmente patética em tudo o que fiz e faço. Nada faz sentido, tudo é correr atrás do vento, estou com saudade da minha mãe e de todos os que já foram. Há crianças morrendo em Israel e Palestina, mulheres abortam, pais perdem emprego, jovens se drogam, amores se perdem, pessoas casam e descasam e mesmo assim o mundo, essa bola gigante continua a rodar indiferente a tudo e não para nem um pouquinho para explicar o sentido de nada. Está sendo ótimo eu parar. Esse é o lado bom. Parar. É a melhor fuga: entrar num parêntesis cheio de reticências... Mas e daí? Queria sair uma pessoa melhor e mais iluminada mas isso não vai acontecer. Meu Deus do Céu, olho-me no espelho e me pergunto: por que fiz isso comigo mesma? Até minha mente está inchada... Uma angústia... Tô mal. Amanhã devo melhorar. Beijos."
(Continua...)
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