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24 de jan de 2012

Dia do Aposentado

Essas datas comemorativas são muito úteis para quem tem blog. Sempre há algo para postar a respeito - hehehe.

A aposentadoria é uma fase misteriosa para quem a vê de longe. Para mim é. O motivo é que nunca sabemos como vamos nos sentir quando chegar a nossa vez.

Tem gente que entra em pânico, não sabe se vai ou se fica. Conheço uma galerona que está assim.

Há os que decidem parar de trabalhar e entram em depressão. Há os que continuam mas sofrem por falta de motivação ou por falta de  valorização de seu trabalho. Ou sofrem porque simplesmente é duro ir para a labuta cheio de doença.

Claro, há aqueles que são alto-astral, que abrem um negócio próprio e continuam a ganhar dinheiro, só que como "senhores de si".

Alguns demoram tanto a decidir o que vão fazer que acabam ficando como donos de casa. Tudo bem. Mas gosto mesmo é dos que abraçam a vida de "peregrinos turísticos". Indiscutivelmente esse é o filé da aposentadoria.

Claro que há os que fazem turismo só ao redor do quarteirão... mas pelo menos eles mantém a saúde e batem papo com os vizinhos.

Comecei a trabalhar tarde. Estou naquela fase de ter inveja de quem está aposentando. Aquela fase em que a gente tem certeza de que vai curtir muito o dia em que não for obrigado a fazer mais nada. Quando faltar só um ano para cair fora talvez eu comece a roer as unhas, mas por enquanto vejo pessoas do meu convívio com suas Cartas de Alforria nas mãos e me dá uma invejinha!

O mundo se descortina na frente dos aposentados. O sol brilha, as flores crescem na praça e se não há mais mil possibilidades de atividades, pelo menos umas duas dezenas é possível contabilizar. E o melhor é o seguinte: se decidirem fazer tudo ou fazer nada, ninguém os molestará.

O aposentado conta com uma espécie de pré-aprovação para as suas decisões. Diferentemente dos jovens, que quando resolvem fundar uma banda de rock é um "Deus-nos-acuda". Se resolvem casar aos 18 anos, ser jogadores de futebol, padres, Hare-Krishna ou atores, nossa! A família se levanta, os amigos, os vizinhos. Aparece até torcida contra e a favor.

Aposentado não. Ele pode virar hippie, crente, padre, surfista, macumbeiro, instrutor de auto-escola, pode nunca mais querer ler num livro, pode virar síndico, velhinho de programa, deputado, jogador de dominó.  Não é Isso é o que todo jovem quer da vida? Escolher (ou postergar a escolha) seu caminho sem esquentar a cabeça e sem cobrança?

É, o passar do tempo traz algumas compensações...

Mas nem tudo são flores na caminhada do aposentado. Há três coisas que ele não pode fazer se não quiser ouvir sermões semelhantes aos que os jovens ouvem quando resolvem largar a faculdade. O Aposentado não pode nem sonhar em:

1) Desfazer-se dos seus bens (a menos que os doe aos filhos, claro);
2) Se apaixonar por uma pessoa muito mais jovem.
3) Parar de tomar os remédios.

O pior mesmo é quando se apaixona e fica bobão. Porque todo mundo vira bobo quando se apaixona, mas espera-se que o idoso não caia nessa esparrela. Geralmente não cai. Mas quando cai se esparrama - perna pra um lado, cabeça pro outro.

Quando chegar a minha vez não vou vender meus bens nem parar de tomar remédios. Quanto a essa coisa de me apaixonar, não prometo nada a vocês.  Também previno a todos que é possível me bater uma piração e eu virar "gatinha". E daí?   Aguentem o tranco em consideração aos bons tempos.

É o que sempre digo: liberdade total é mesmo uma ficção... para os outros!  Comigo o buraco é mais embaixo!
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