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20 de jun de 2012

A figura do coquinho

Se existe uma coisa que admiro e tento (inutilmente) imitar é: gente chique.

Gente chique não manda ninguém tomar nos orifícios - que é uma coisa muito rude e primitiva. Gente chique fica na sua, como se estivesse em um trono sob câmeras e holofotes.

Só que algumas vezes a pressão é tão grande e o aborrecimento tão avassalador, que é lógico: temos que extravasar nossa contrariedade e colocar ordem no barraco recinto. É aí que entra a simpática figura do coquinho rolando pelo gramado do palácio, seguida de um bobão correndo atrás, mostrando os fundilhos encardidos e sendo caçoado pela criadagem. Eu explico:

"Vá catar coquinho" é a maneira mais simpática que conheço de chutar o balde sem perder a compostura. A expressão tem a dose certa de humor que desarma o ser xingado. Desarma porque a intenção era aborrecer, mas você está se divertindo com ele, que se pretende grave. Se ele queria te tirar do sério e você retruca com algo rápido, leve e desinteressado:

- "Você é tão reles mas tão reles que não inspira  ofensas muito sérias ou aviltantes. Sua figura está mais para bobo da corte do que vilão palaciano. Então vá catar coquinho!"

- "Se eu apreciasse amenidades,  riria da sua figura. Mas como você não chega a tanto, só me resta expressar meu apreço pela sua ausência. Por favor, vá catar coquinho no despenhadeiro lá da esquina."

- "Uma morte sangrenta é romântica demais para direcioná-la a você. Sua figura não cabe em dramas, mas em comédias. Não dá nem para eu me aborrecer a contento. Vá catar coquinho." 

Quando você ordena que alguém cate cocos pequenininhos, acredite: você imediatamente ganha estatura.  É imediatamente catapultado do chão à nuvem mais próxima.

Você de um lado, os coquinhos do outro: quem tem aspecto mais imponente? Você!  E a imagem do seu oponente retirando-se envergonhado, confuso, com o rabo entre as pernas e uma cesta na mão indo atrás coquinhos... Não é delicioso?

Claro que isso não acontecerá ao pé da letra, mas essa imagem ficará por um bom tempo impregnando, ridicularizando aquele que ousou lhe importunar. Rebaixar a pretensa gravidade do ofensor é um exercício curioso e gratificante.

Faça bom proveito desse texto.


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