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25 de ago de 2012

PRONUNCIAMENTO

Estou chegando em um momento da minha vida em que desconfio de tudo. É ruim desconfiar de tudo. É ruim não ter causas. É ruim ver o furo de todas as causas. Não, não sei se é mesmo ruim, mas certamente é  desconfortável.

Era mais gostoso aquele tempo em que eu "sabia" quem era do bem e quem era do mal. Mas hoje basta ler duas revistas com tendências políticas diferentes para a gente ver que a verdade está muito bem malocada em algum lugar fora do nosso alcance.

Pelo meno metade do que se lê nos jornais é mentira. E você nunca sabe qual metade.

Mesmo a verdade, quando dita, pode servir à mentira. Tudo depende de como é publicada. Por exemplo: já ouvi inúmeras vezes dizerem que "os jovens são as maiores vítimas da violência". Isso é uma meia verdade que alimenta a mentira de que os mais velhos são mais cruéis. A verdade é que os jovens sofrem mais violência mas ao mesmo tempo são eles os maiores promotores dela. Eles promovem a violência e também são os primeiros a sofrerem com ela. 90% dos assassinados são jovens? Pois 90% dos assassinos também o são. A quase totalidade dos assaltantes violentos são jovens.

O filme Anjos e Demônios explica isso muito bem. Explica de tal forma que a gente se percebe um perfeito babaca quando briga em defesa de uma personalidade pública, quando veste a camisa, quando afirma que foi assim e assado.

Quais as nossas fontes? A gente não sabe nada do que acontece nos bastidores!  Somos inocentes úteis e quando abrimos a boca gritando "verdades" alguém ri de nós atrás da cortina.

Os meios de comunicação só servem para distrair ou manipular as pessoas. Como em Matrix, estamos sendo sedados e sugados dia e noite. É essa a nossa posição na escala social. "Eles" nos vendem em lotes, negociam nossa fé,  alugam nossas mentes, nos vendem como gado para uma empresa, para um partido político, para uma "boa cau$a".

Somos uma massa cega que frequentemente reverencia o vilão. Assisti também dia desses o último filme do Batman (O Cavaleiro das Trevas) o que só reforçou o que estou dizendo. A gente nunca sabe quem realmente tem compromisso com o bem. A gente nunca sabe qual a denúncia verdadeira. Em qualquer guerra, a verdade só começa vir à tona uns 30 anos depois, timidamente. Kennedy foi assassinado e até hoje ninguém tem uma história convincente para explicar direitinho o que aconteceu.

Dá um frio na espinha pensar que talvez as pessoas que eu mais desprezo sejam os anjos da história. Talvez os que eu mais admiro não passem de psicopatas nojentos. Todo olhar cândido pode ter sido construído por um manipulador de imagem pública.  Até a cor de uma roupa influencia nossos sentimentos em relação a uma pessoa.

Por isso cada dia mais eu me convenço do quanto a proposta de Jesus é libertadora.  Quando ele disse para não julgarmos era porque ele mesmo sabia que somos otários demais e não conhecemos os fatos, então melhor calar a boca. Quando ele disse para não chamarmos ninguém de "guia", "guru" ou coisa assim, é porque ele conhecia a natureza humana e sabia muito bem como funciona essa safadeza toda. A única religião válida, segundo a Bíblia, é fazer o bem. Está escrito que "a religião verdadeira e pura é visitar os órfãos e as viúvas nas suas dificuldades e guardar-se da sujeira do mundo." Essa é a causa, não há outra. Tudo o mais é ilusão.

Não se faz o bem pelas mãos dos outros porque você não sabe o que os outros tem nas mãos. O bem verdadeiro você faz quando olha nos olhos do seu próximo, sente compaixão e estende a mão em ajuda. O bem está próximo da gente, não nas grandes causas mascaradas. Não acredito mais nelas.

É absolutamente libertador entender que o mundo todo jaz numa lama escura e que a única verdade é Jesus. Ele é uma rocha firme e sua proposta é a ÚNICA causa pela qual vale a pena lutar e dar a vida. Ele falou de amor, verdade e justiça - tudo no varejo. As coisas só funcionam no varejo, o resto é hipocrisia. 

Pode parecer muito piegas dizer isso mas com essas quebras de paradigmas descobri que as maiores verdades são piegas mesmo, tão piegas que essa multidão de "safos" não quer mais prestar atenção nelas.
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