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21 de nov de 2012

Diferenças sutis


Agora está na moda afirmar que "não preciso ser magra para ser bonita." Como se minha decisão tivesse o poder de mudar o gosto alheio.

Ultimamente estou me detendo em refletir sobre as coisas que confessamos sem querer. Os famosos "atos-falhos". Acho que esse é mais um deles.

Fazer de conta que minha decisão pode mudar o gosto alheio é uma bobagem. É também uma "auto trairagem", uma humilde confissão. Dizendo isso estarei admitindo que a partir de agora vou viver da fantasia de que todos me acham bonita sendo gorda. Em outras palavras: "para mim é relevante que me achem bonita; não posso ser feliz sem a aprovação - fictícia ou não. Então decidi me convencer de que essa aprovação existe."

Não estou dizendo que não existe. Não estou dizendo que os gordos não são bonitos. O que estou explicando é que quando uma pessoa diz algo assim, está na verdade confessando que acha o contrário.

Entenda: dizer que "decidi que não preciso ser magra para ser bonita" é muito diferente de dizer que "Decidi que não preciso ser magra para me sentir bonita".

A primeira frase é uma confissão de que me sinto infeliz porque acho que os outros me acham feia então daqui por diante vou me convencer de que todos me acham bonita mesmo sendo gorda.  A segunda frase diz que "para eu ser feliz basta que eu me sinta bonita e para isso eu decidi que não preciso ser magra." 

A segunda frase mostra um estado emocional melhor do que o primeiro, mas ainda não é o ideal. Bom mesmo é não precisar se sentir bonita para ser feliz até porque a maioria das pessoas não são visualmente bonitas.   Para mim a frase ideal seria: "Finalmente entendi que não preciso ser bonita para ser feliz." Isso sim é estar livre da aprovação dos outros. É estar se lixando para padrões.

Enquanto precisarmos de que os outros nos achem bonitas, não estamos bem. Mas também não estarei 100% bem comigo mesma se para eu me aceitar for preciso convencer-me a mim mesma de que sou bonita. Por quê a beleza é o parâmetro supremo da felicidade?  Não dá para eu me olhar no espelho, perceber que não sou bela mas não me magoar com isso e levar a vida na boa?

Não estou dizendo que alcancei esse estado de graça. Estou aqui refletindo com você e percebendo o quanto somos frágeis, o quanto o olhar alheio nos afeta e o quanto somos tolos com nossas bravatas de Facebook.
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