.

.

6 de dez de 2012

A palavrinha da moda


Prepare-se: todas as vezes que você criticar alguém, quem discordar vai lhe acusar de estar sendo REDUCIONISTA. REDUCIONISMO é a nova palavrinha da moda.

Acusar os outros de reducionismo é uma maneira de dizer o seguinte: "Você está simplificando a questão! Há muitos detalhes a serem analisador e você não pensou em todos eles antes de dizer o que está dizendo." Ou seja: tudo é complexo demais quando eles são contra e tudo é simples demais quando são a favor.


Esses dias fui  acusada de ser reducionista porque disse que é errado dar trambique nos outros. A pessoa com quem eu conversava era adepta de teorias que dizem que essa coisa de "é-meu-e-seu" é uma imposição do sistema de controle, certo e errado não podem ser vistos assim, que essa é uma visão muito tacanha do mundo, coisa de burguês teleguiado, filhote do capitalismo e bla bla bla. Ou seja: ele era o "profundo" e eu reles. Pra mim a questão é: ou você é honesto e verdadeiro ou não é.  Ele, para justificar sua fraqueza de caráter, resolveu embaralhar as idéias, complicar o que era simples e taxar de reducionista quem discordasse.

Claro que esse novo rótulo tem uma virtude: a de encerrar de vez qualquer diálogo. Quem te rotular de reducionista estará dizendo também que não está com tempo nem paciência para desfiar um assunto tão complexo e que se você quisesse conversar com ele a respeito já deveria vir com a apostila lida.

É, algumas conversas tem que morrer no nascedouro mesmo.

É cansativo constatar que da feita que algumas pessoas aprendem certas palavras resolvem usá-las como canivete suíço, para toda e qualquer situação emergencial.  Em uma conversa você pode comentar que determinada pessoa caiu porque bebeu demais. Se entre os que te ouvem existir um alcoólatra, ele pode não gostar da afirmativa. O que fazer?  Ele não quer admitir que quem bebe demais pode eventualmente cair no chão. Ele não gosta desse tipo de conclusão cristalina que o coloca tão indiscutivelmente dentro de uma categoria de pessoas. E ele odeia ser responsabilizado pelas próprias quedas. Então ele prefere evocar a ideia de que a culpa é da industria de bebida, do capitalismo, da elite, do governo, dos burgueses. A culpa é de todo mundo, menos de quem bebeu. E se você aponta o absurdo desse raciocínio ele diz que você não está analisando a questão de forma inteligente, então você é um "reducionista".

Já vi demais esse fenômeno do "raciocínio humano". Já encheu o saco essa moda de afirmar que seja o que for "a culpa é de todo mundo, menos do agente da ação". Dizer isso é ser profundo. Mas dizer que caiu porque bebeu é ser "reducionista".

Argumento de bêbado.
Postar um comentário