.

.

9 de jun de 2013

Um homem maravilhento

Não sei vocês, mas em minha vida de internauta de vez em quando topo com umas mensagens edificantes que me enchem a paciência.

Esses dias foi a vez da história de um homem  patologicamente feliz. Acontecesse o que acontecesse ele achava tudo lindo.  Furúnculo no traseiro, unha encravada, chifre, sogra em casa, tijolada no carro, CD arranhado, computador com vírus, mulher frígida, filho perdulário, chefe torturador, cantada de viado,  goteira, cárie, nada o abalava. Ele estava sempre lá, rente que nem pão quente, dizendo que tava tudo cem por cento. Ele era de teflon, a ira não grudava.

Por quê cargas d'água alguém imagina que ao descrever esse ser "végeto-humano" eu iria ser incentivada a me tornar uma pessoa melhor? Pois quem pensou isso errou feio, porque comigo o efeito foi contrário.

Imagine você conhecer uma pessoa com o pé na desgraça, aí você se aproxima cheio de dó querendo ser útil e o sujeito só sabe dizer que está tudo bem e que "se melhorar, estraga". Pois então te lasca, filho da mãe!

O alegado segredo dessa estranha forma de vida seria o seguinte: quando ele acordava, respirava fundo. Antes de escolher a cueca ou o sapato, ele escolhia ... ser feliz!  Só isso. Dá pra aguentar um texto desses?

Será que alguém pode acreditar que uma pessoa dessa é normal? Será que é possível acreditar alguém possa ter inveja dessa estranha criatura?

Pois fique você sabendo que eu me alegro pela minha capacidade de sentir e de reagir aos fatos da vida.   Doeu? Eu choro. Machucou? Eu grito. Fez cócegas? Eu rio. Pisar na bola? Eu piso. Depois me arrependo.

Minha capacidade de ficar furiosa não me tira a humanidade, pelo contrário: a reafirma.  Por outro lado a incapacidade de sentir a vida como ela é pode nos anestesiar para todo o resto. Tipo: "Se eu consigo ser feliz até com um prego no pé, você tem mais é que deixar de ser frouxo e se virar." 

Sinceramente, uma pessoa que não consegue guardar os dentes dentro da própria boca não me causa admiração, causa é desconfiança. E se eu estiver com ele sozinha em um lugar deserto? Sei lá, vai que ele me chupa o sangue!

E o texto edificante ainda dizia que aquela era uma  pessoa que a gente gostaria muito de conhecer. Eu não. Eu gosto de gente bem humorada, feliz e otimista, mas ET zen não é muito a minha praia. Sai pra lá.
Postar um comentário