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24 de jan de 2014

Ponto saliente


Um homem de bicicleta com a garupa coberta de rosas. Imagine!  Registro esta como a cena especial de hoje.

Só existem dias iguais para os olhares distraídos. Todos os dias são realçados por um ponto saliente. Sempre há uma cena que faz toda a diferença no meio da amarelice.

Pois eu estava no trânsito e vi um buquê gordo, vibrante, ansioso por ser abraçado. Vestido para festa, parecia muito firme apesar dos sacolejos da bicicleta.

Acho que o ponto alto na vida dos buquês é quando são abraçados. Eles adoram mergulhar em seios quentes. Adoram braços longos, suspiros, palavras de agradecimento e emoção. Adoram a intimidade pública, rara e cara que poucos gozam, de tocar em corpos, serem acariciados, beijados, bincados. Um colo de mulher é um colo de mulher!  E no meio da mornidão as flores olham para cima e enxergam dentes brancos contra a luz. Um pouco mais adiante, já forçando os olhos, dá pra ver os cílios inquietos lustrando os olhos.

Um buquê de rosas é como uma mulher bonita: ele sabe muito bem o efeito que causa.

E lá ia o homem, lá ias as flores. Doce missão. Deu vontade de passar pertinho dele, emparelhar com a bicicleta e perguntar pela carga, puxar conversa, descobrir detalhes. Aniversário? Pedido de casamento? Nova conquista? Amante secreta? Pedido de desculpas?

Eu quis roubar uma rosa. Quis passá-la no rosto como sempre faço, sentindo o veludo geladinho que só as flores tem. Porque no mais, todo veludo é quente.

Rosas são o retrato da juventude, da paixão, do amor, do sexo requintado.

Foi esse o pontinho vermelho no meu dia. Foi essa "a cena" de hoje. E pensar que ontem o ponto saliente foi eu, no carro, chorando com a música "É isso aí."  Não sei porquê, nem triste eu estava. Mas é isso aí.

Dizem que os diamantes são eternos. Mentira. Os diamantes passam. Eternas são as rosas no coração de uma mulher.
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