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14 de abr de 2014

NÃO SOMOS UM POVO LIVRE


NÃO SOMOS LIVRES. Essa tem sido uma descoberta dolorosa.

Hoje entendo porque Cuba proíbe seus cidadãos de "passarem um pano" em outros países. . Eles tem razão, é arriscado mesmo. O choque da descoberta pode levar à revolta. Pra que arriscar?.

Sair abre a mente e nos leva a perceber que o governo nos engana com migalhas. É como passar a vida comendo estrume e se assustar quando descobre que os outros tem coisa muito melhor.

Sair do Brasil é muito doloroso. A gente tira foto, ri, compra bugiganga... mas lá dentro o coração dói e uma pergunta persistente martela em nossa cabeça: "Como eles conseguiram construir uma sociedade assim mas a gente não consegue tirar o pé do barro?!"

Machuca.

Qualidade de vida não é morar num palácio nem ter carrão. Aqui no Brasil tem muita gente com carrão e morando em imóveis invejáveis, mas tem que se esconder em guetos, gastar uma nota com segurança particular, não podem simplesmente caminhar pelas ruas, vivem com pavor de sequestros.  Qualidade de vida não é morar em casa grande, mas em casa sem grade. Não é ter seu pára-brisa lavado em cada esquina: é poder rejeitar o serviço sem ser agredido, marcado  ou ameaçado. Não é ter carrão: é ter liberdade de abrir mão do carro para ir trabalhar de bicicleta sem pânico. Qualidade de vida não é andar com muito dinheiro no bolso: é poder andar sem dinheiro no bolso e não ter medo de ser espancado pelo assaltando por isso.  Qualidade de vida não poder ter jóias: é não ter medo de usá-las. Não é ter um notebook; é poder usá-lo ao ar livre.

Liberdade não é poder ler qualquer  jornal: é poder publicar no jornal a sua opinião sem ser apedrejado.

Dá um nó na garganta descobrir que não é todo mundo que morre de medo de sair à pé às nove da noite. Não é normal agarrar a bolsa, arregalar os olhos e disparar o coração quando vê  um grupo de rapazes andando pela rua. Não é normal ficar tenso quando um motoqueiro se mantem ao lado do seu veículo. Não é normal ter medo de viajar na cidade com os vidros do carro aberto. Não é normal ainda por cima ter que  colocar película escura no carro por questão não de estética ou conforto, mas por questão de segurança. Não é normal ter medo estar sem dinheiro na hora de um assalto. Não é normal gastar uma fortuna para encher sua casa de grades. Não, não é normal. E quando a gente sai daqui e descobre que os outros raramente se preocupam com essas coisas, que circulam livremente pela cidade, que não são obrigados a dar dinheiro a nenhum mal encarado que quer "reparar" seu veículo, que quando eles se sentem intimidados ou desrespeitados, simplesmente chamam a polícia e a polícia resolve... Ah...

NÃO SOMOS LIVRES, não somos mesmo. Essa foi uma das descobertas mais triste da minha vida.

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