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15 de jun de 2014

O louco

Já faz anos e todo mundo está careca de saber que o falecido ator Heath Ledger recebeu indicação para o prêmio Globo de Ouro por sua atuação como Coringa em "Batman - The Dark Knight”. Sim, os loucos são enigmáticos, inquietantes e às vezes cativantes. Por isso mesmo o cinema jamais esquece deles.

Geralmente os personagens malucos existem para nos meter ódio. Ou nos deixar encurralados, sem saber o que fariamos nas situações por eles propostas.

Para um filme fazer sucesso ele tem que, de alguma forma, mexer com os sentimentos ou instintos do expectador. Medo, raiva, excitação sexual, curiosidade, ansiedade. Pode também apelar para a reflexão.

Quando assistimos a história de um bom menino que se tornou mau porque não suportou o peso de algum sofrimento, ficamos comovidos.  Passamos a respeitar aquele que geralmente desprezamos: o maluco. Aí somos forçados a refletir sobre nossa própria fragilidade pois nossa mente é sujeita a deformidades. Isso é um tanto assustador: o cérebro está lá, guardadinho numa caixa de osso, mas mesmo assim pode ser afetado por coisas invisíveis! Algo não-físico atravessa a caixa craniana e causa mais estrago que uma paulada.

Heath, como Coringa, no fez rir com o cenho franzido. Ele conseguiu passar para nós um peso interior, um mal estar generalizado que era impossível ignorar. Em seus modos amalucados ele atraía para si todas as atenções.   Heath Ledger fez o papel do louco que sofre, sangra por dentro e por isso esmurra o mundo sem sentir mais dor.

Todos nós, às vezes, invejamos os loucos. Eles, somente eles, tem liberdade para dizer o que quiserem e serem como decidirem ser. Desafiam o mundo e sua lógica. Podem ser esquisitos, podem xingar, abandonar o emprego, agredir, gritar, andar pelados pela rua, declarar amor ou ódio.

Há uma dose invejável de liberdade na loucura. Pena que nos saia tão caro. É bem verdade que ser "normal" não é lá muito barato. O preço, porém,  parece estar mais ao alcance da maioria.
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