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9 de set de 2014

Três caras da chuva

A experiência física com a chuva é uma coisa muito sensual a qual raramente nos entregamos. O corpo desperta, por mais cansado que esteja. O coração acelera com os toques gelados, os bicos dos seios endurecem, a carne se põe em  alerta e fica até mais jovem. Na chuva estamos sempre prontos para o amor, ainda mais sabendo que o outro corpo virá sempre quente e rijo como o nosso. Será tão bem-vindo em contraste com o frio! Há mil corpos quentes desejando outros corpos quentes enquanto tremem debaixo da chuva. 

Bem estranhamente, a experiência visual com chuva é muito contrastante com a anterior. A chuva , diante dos nossos olhos, desfila muito triste, desmaiando entre soluços. E lamenta, lamenta muito aquele acontecimento doloroso que não ousa descrever e que  desconhecemos ... mas intuímos. Sabemos de tudo, sem palavras, por experiência de vida. E quando não lamenta, a chuva assume aquele ar profético, anunciando alguma coisa muito muito grave que está prestes a acontecer. Ficamos pensativos.

A chuva  só é feliz pela manhã, quando nos visita junto com o sol e vem morninha e transparente, sem fazer barulho, cheirando a vapores. Se enfia desinibida e sem convite pelo meio do sol e nesse "Romeu e Julieta" atrai moleques de todos os lados.   E é assim que a chuva vive o seu breve momento de glória.
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