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4 de jan de 2015

Um lugar que espera

Estou convencida de que o passado ė um lugar. Sem dúvida ele permanece como um lugar intacto para as histórias interrompidas. É para onde podemos voltar... talvez.

Quando as histórias que seguiam em linha reta são interrompidas, cria-se uma curva forçada. É ali que mora o passado, naquele desvio, entocado, intocado.

As pessoas se despedem umas das outras e isso é como abandonar um palco.  No mundo das coisas mil anos é como um dia e um dia é como mil anos. O passado não tem relógio nem noção de tempo, por isso espera, por isso permanece. Ele não se conforma em mudar de forma.

Os lugares do passado são tristes e desertos mas se acendem com todas as luzes quando acontece um reencontro . Tudo volta a ser como antes, mas apenas por poucos segundos. É só até as pessoas darem por si e se perceberem. Então quebra-se o encanto.

Tudo dura só o tempo de descobrirmos que mudamos. Só aí a história passa a ser legalmente irresgatável. Então o passado deixa de ser lugar para se tornar mera lembrança.

Olhar novamente para si mesmo no lugar chamado "passado" é uma coisa desconcertante. Durante a checagem o encanto está por um fio! Quando então a pessoa percebe que mudou, tudo se desintegra e se perde para sempre.  Tudo vira pó, até mesmo o último fio de esperança. A triste mágica do reencontro...


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Mas há algumas poucas pessoas que também se cristalizam, como o passado, e não mudam. Só gente assim consegue vestir novamente a roupa do que foram e então coincidirem consigo mesmas. Só elas podem continuar do ponto em que pararam.

O passado é um lugar onde, vencidos os primeiros segundos, às vezes é possível recuperar o fio da vida.
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