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9 de jan de 2015

Lá dentro

Hoje estou achando o seguinte: tudo já está lá dentro, encubado.

O ciúme, por exemplo, é desse jeito. É um estado doentio que só precisa de um fiapo de qualquer coisa para subir no palco o fazer o show. Na verdade o ciumento não precisa de fatos. Se existem, ótimo, está tudo justificado. Se a realidade não coopera, não tem problema. Fatos a gente inventa pra se distrair.

E a maldade? Também precisa de uma desculpa para mostrar a cara, mas todos deveríamos saber que ela existe antes dos fatos que pretensamente a geraram. Ela está lá dentro, latente. No início é apenas uma ameaça que ninguém percebe. Só se vê uma pontinha, mesmo assim só se prestarmos muita atenção. Irmãos injustos, pais violentos, mães ausentes, governo corrupto, colegas cruéis, tudo coopera não para ela existir, mas para ela sair do armário. Ela só aparece porque já existia antes de ser chamada.

Algumas pessoas sofrem violência e isso lhes dá a "licença necessária" para serem o que elas acham que têm o direito de ser. Outras pessoas, no entanto, preferem iniciar um movimento contra a violência e ajudar o próximo. Uns estupram porque foram estuprados; outros tornam-se terapeutas que ajudarão pessoas com esse histórico. É sempre uma escolha.

Ou não...

Caramba, esses dias escrevi uma frase dizendo justamente o contrário disso tudo. Comentei sobre o quanto achava estranho perceber que escolhemos tão pouco na vida. Naquele dia minha cabeça militava em sentido inverso ao de hoje. Parecia-me, isso sim, que as coisas acontecem independentemente das nossas escolhas. Somos impelidos pelos fatos e pelo destino assim como folhas são impelidas pelo vento.  Somos seres aleatórios com delírios de controle. Tudo ilusão.

Pois termino o texto com essa "conclusão inconclusiva". Mudo assim como o vento muda e talvez o mesmo vento que desenhe o meu destino seja o que brinca com minhas conclusões e faz das reflexões o mesmo que ele faz com qualquer coisa leve e solta nesse mundo.
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