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18 de mar de 2015

Meu pedestal e o conceito de utilidade

Há coisas que me irritam. Uma delas é essa teoria que tenta me desbancar do pedestal que ocupo.

Coisa mais chata é essa ideia de atribuir obrigação aos humanos. O tal "conceito de utilidade".  Ele consiste na ideia de que estou aqui no mundo para cuidar dele, para garantir árvores e mares para as próximas gerações. Isso é algo que me encolhe, como se eu não fosse mais que uma minhoca a arar a terra. Tudo bem que Adão recebeu a tarefa de gerenciar o mundo, mas acho que o lance teve um caráter marcadamente hierárquico. Ele era o chefe. Não é?

Acho desconfortável a ideia de que eu "existo para".  Prefiro pensar que minha nossa presença no mundo é algo ótimo independentemente de qualquer conceito de utilidade que possa ter.  Prefiro considerar minha nossa existência como sendo um fim em si mesmo. É porque é. Valemos a pena, foi uma boa ideia e não precisamos de motivo melhor do que este para continuarmos desfrutando do planeta.  Por exemplo: eu. Se eu não fizer nada na vida ainda assim valho a pena tão somente por ser um exemplar único e interessante. Pode procurar por aí e não vai encontrar ninguém igual a mim. Presumo que o mesmo fato curioso ocorra em relação a você.

A galinha, o porco, o boi, a árvore, os rios, são "para". Eu, não.

Aprecio e curto essa visão egocêntrica do mundo. Ainda não apareceu nenhum bicho para contestá-la e dizer na minha cara que estou errada.

Desfilo então entre cães e árvores perfeitamente convencida de ser a estrela da criação. Se não tenho permissão para depredar, nem por isso deixa de ser verdade que a natureza está aí para me dar alimento, segurança e entretenimento. Note que há espécies incríveis de seres com cores e caras as mais engraçadas possíveis. Para quê existiriam se não para divertir o único terráqueo com senso de estética e humor?  Bicho só presta atenção em bicho se for pra comer. Fora isso pouco importa que carreguem em si todas as cores do arco-íris ou que não passem de pássaros chochos.

Ser o centro do mundo é emocionalmente saudável. Auto estima e caldo de galinha não fazem mal a ninguém.  Além do mais tenho o bom senso de levar comigo, ao topo da natureza, todos os demais companheiros humanos. Observe que não vou sozinha. Carrego-os alegremente no samburá da minha teoria à posição hierarquicamente mais elevada do mundo. A eles me igualo - mas só a eles! Não abro exceção nem pra cachorros. Ou melhor: muito menos pra cachorros, que vivem fuçando e batalhando uma carona no nosso trono.


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