.

.

13 de mar de 2015

Liberdade - terceiro estágio


Em um primeiro momento as pessoas relacionam "liberdade" a locomoção e expressão. Está certo. Poder ir e vir sem impedimentos ou importunações e poder expressar livremente o pensamento, isso é liberdade. Mas há o segundo estágio. 

O segundo estágio de liberdade está ligado ao TER. Só seria realmente livre quem não tem necessidade de se vender. Segundo essa visão, minha liberdade seria do tamanho da minha conta bancária. Esse conceito é muito utilizado por militantes e militontos - dependendo da situação. Não é um conceito errado - faz sentido! A pobreza escraviza e dificulta que uma pessoa escolha seu caminho e expresse seu "eu".  Só que há também o terceiro estágio. 

Não sei bem se posso chamar de "terceiro estágio" ou  seria melhor "terceiro conceito". E não tenho muita certeza, mas me ocorre que o terceiro conceito pode entrar em choque com o segundo.

O terceiro estágio - ou conceito - é a LIBERDADE DESESPERADA.  Acho que é a liberdade mais autêntica, profunda e animal. É a liberdade de quem não tem mais nada a perder. E odeio dizer isso, mas talvez seja a liberdade que mais nos falte. Nossas posses nos prendem. Só quando nos desvestirmos delas é que seremos realmente livres, pois não temeremos nenhuma ameaça.  Eu e meu tacape - vai encarar?   Aqui deixamos o conceito de ir e vir ou  liberdade de ter. O lance agora é  "liberdade para se rebelar".  

Os movimentos operários só foram possíveis a partir da exploração extrema. Enquanto há bônus, há medo de perder o bônus.  Quanto maior o conforto, mais mole é a bunda. Quanto mais pobre o trabalhador, mais fácil é organizá-los para a luta. E se nem trabalhador ele é, aí temos uma fera, uma bomba nuclear. 

Vejam os senhores a relevância social do dinheiro - e da sua ausência. 

Se por um lado o governo tem nos tirado muito, lembremos que o efeito colateral disso é que está nos empurrando para esse nível primitivo e feroz. Jamais encurrale um homem; ele se torna perigoso e imprevisível. Até certo ponto tirar enfraquece. Mas a partir de determinado momento tirar animaliza e, de certo modo, fortalece

Nunca tire tudo de uma pessoa. Deixe uns agrados, umas migalhas, para mantê-la na coleira.

Vem aí as passeatas do dia 15.  Será uma data importantíssima mas desconfio que seu valor fique mais no aspecto simbólico. Pelo menos a princípio. Isso porque ainda não chegamos ao estágio animal da liberdade. Ainda temos muitos receios, muitos pequenos confortos que não queremos perder. Nossa fúria ainda não foi realmente despertada.  E justamente para não perder esses pequenos confortos é que nos manifestaremos. Deu pra perceber o nível de contradição dessa situação? 

Seríamos uma massa poderosa e assustadora se não tivéssemos mais nada a perder. Não somos - e estamos lutando para continuar não sendo. Lutamos para continuar sendo fracos. Não sei como fugir disso.

Não estou fazendo apologia a nada. Só estou constatando uma situação curiosa.

O governo está testando nossos limites. Mas precisamos perder mais ainda.   Ainda não perdemos o suficiente para nos tornarmos ferozes. Ainda somos gatinhos miando.

Postar um comentário