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7 de jan de 2016

ACÍDIA E CURIOSITAS

ACÍDIA E CURIOSITAS? Que raio é isso?

Aqui abaixo repito com as minhas palavras o que o blog Historia Viva comenta sobre o tema.  Reflitam, oh néscios!

Há um desejo de ver que acaba pervertendo o sentido original da visão. A finalidade da visão é perceber a  realidade. Só que a tal "concupiscência dos olhos" ("curiositas") é o desejo vazio de ver por ver, sem interesse algum em perceber a realidade. É então uma perversão do desejo natural de conhecer. É o olhar do tolo.

Agostinho diz que a avidez dos gulosos não é de saciar-se, mas de comer e saborear. O mesmo se pode dizer da curiositas (concupiscência dos olhos), que gosta de ver sem o desejo de penetrar na verdade, mas só de se deixar levar pelo mundo, sem rumo, sem finalidade e, por fim, sem proveito.

Tomás de Aquino mostra que a curiositas é uma vagabundagem mental que leva à dissipação do espírito. Como assim? Vou explicar: a pessoa se torna vazia, nula, fútil, sem conteúdo.  Essa pobreza de espírito a leva, necessariamente,  ao colinho de outro mal: o sujeito cai na acídia.  Ô desgraça!


E o que é acídia? Ah, isso também muitos de nós sabemos. Acídia é aquela tristeza modorrenta do coração, aquele tédio interior. É quando, mesmo inconscientemente, o sujeito não se julga capaz de ser tudo aquilo para o qual ele foi criado. Ou melhor: acha que não tem como desfrutar de todas as suas possibilidades como ser humano. A pessoa se sente condenada à nulidade, incapaz de um feito importante. Essa modorra (essa palavra é boa!) tem cara fúnebre e cria um ciclo vicioso:  a vagabundagem dos olhos leva a um profundo tédio interior e à ânsia desesperada por diversão (justamente para fugir do vazio).  A diversão só socorre o sujeito por um pouco de tempo; aí ele cai na modorra de novo. Muitos acabam lançando mão do uso de drogas, para aliviar-se da secura interior.

A vagabundagem visual/mental é um repúdio às próprias possibilidades do ser. É se conformar com a mediocridade.

A acídia manifesta-se assim, diz  São Tomás de Aquino: 

1) Primeiro vem a "dissipação do espírito" (dispersão, diluição. O mundo não está cheio de gentinha rala, sem conteúdo, que só fala abobrinha? Pois é.) 

2) A 'dissipação do espírito' manifesta-se, por sua vez, na tagarelice, na vontade indomável de distrair-se ("sair da torre do espírito e derramar-se no variado"), numa irrequietação interior, na insatisfação insaciável da curiositas.

3) Desespero:  assim como o apetite pode degenerar em gula, o desejo de conhecimento também pode degenerar em "curiositas". A perversão do desejo de conhecer pode significar que o homem perdeu a capacidade de "habitar em si próprio". Cruel.   Aí a vida da pessoa se resume em procurar, com disfarçada angústia, mil caminhos para alcançar um bem-estar que só a  serenidade de um coração senhor de si pode alcançar.  

Uma vida inteiramente vivida é o que todo mundo quer. Mas a pessoa que se abandona à curiositas não tem realmente vida, apenas é levado pelo vento. Então seu destino é ir mendigando pela existência para ver se consegue ter a sensação de que goza uma vida intensa, quando na verdade nem sabe o que é isso.

Não é assim mesmo que acontece? E não é sábio entender que evitar a "concupiscência dos  olhos" não é um favor que se faz à religião, mas a si mesmo?

As crianças evitam o mal por obediência ou medo; 
O ser adulto o evita por entender o que ele realmente significa; Os tolos simplesmente não o evitam.
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