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17 de jun de 2016

Na natureza selvagem






Estou assistindo esse filme pela terceira vez. Não tem jeito: me emociono.

Geralmente guardo o "centro da mensagem" dos filmes que assisto. Não me pergunto se o idealizador da história tinha em mente a tal mensagem central que pesquei.  Mas o que importa? Traço paralelos, vejo semelhanças, "mensagens", setas apontando para cá ou para lá.

Incrível e lamentável a determinação irredutível do personagem principal. Já escrevi certa vez sobre o que seria ter sobre si os grilhões de uma liberdade que se impõe e nos impede de mudar de direção; uma liberdade que não aceita ser negociada nem diminuída.

O personagem nos aflige com a inflexibilidade de seu sonho. Ele é inabalável.  O rapaz ama, é conquistável sim, mas sacode de si todas as amarras afetivas com uma facilidade impressionante. Só porque é livre, tragicamente livre e determinado. Em todas as suas andanças parecia que eu estava vendo a mão de Deus oferecendo opções, mostrando outros paraísos, outras vias possíveis.   Eu vi em toda a história as doces argumentações da Vida tentando demovê-lo da ideia, soprando em sentido contrário. Era como um vento carinhoso que o cercasse tentando inutilmente seduzi-lo.  Era como se Chris andasse por um imenso pomar de possibilidades mas desejasse apenas aquele único fruto que lhe faria mal.   Em cada pausa da viagem ele encontrou convites irrecusáveis da vida; frutas e mais frutas que, no entanto, não quis. Preferiu despedir-se de pessoas para as quais ele seria tudo e lhe trariam de volta tudo o que deixara para trás. Em sua curta jornada pela terra ele quebrou vários corações até quebrar, por fim, o seu próprio - imagino.

Foco... Não podemos deixar que nosso foco degenere em algo estranho, nocivo.



"Eu quero dizer agora o oposto do que eu disse antes. Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo!"


Antes de terminar esse texto preciso desdizer tudo o que já disse. Preciso desaprender todas as lições que eu achei que havia aprendido com essa história. Vou declarar, contraditoriamente, que romper com tudo sempre foi o meu sonho de consumo e que morro de inveja de Christopher McCandless. Eu queria ter a coragem, a pureza e o desprendimento que ele teve.


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