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30 de abr de 2017

O grande dia da revolta

Essa postagem é só para mulheres. Eu acho.

Estou enjoada de ir à manicure, de pintar os cabelos, de depilar. Estou cansada de ficar indecisa quanto à roupa, de usar sapatos altos e desconfortáveis, roupas sexys que não me deixam a vontade  (nem sexy). Estou cansada de sentar direito, de sentir culpa pelo peso e cansada de malhar. Aquele barulho das academiar está começando a me irritar. Começa a me causar antipatia aquele monte de batons, aquele monte de colares, brincos, pulseiras, cintos, lenços, adereços e mais adereços. Quem precisa disso pra viver, droga?   Acho que essas coisas todas são pesos-mortos da juventude e em algum momento da vida a gente tem que juntar tudo e fazer uma "fogueira santa de Israel".

Agora começo a entender as feministas xiitas do início da década de 60, que queimavam sutiãs em praça pública dizendo que aquilo era um dos instrumentos de dominação sobre as mulheres. Quer saber? Tô com elas. Mas não são os homens que nos oprimem mas nossa própria vaidade e necessidade doentia de cativar. Chega.

"Não acredito! A Cristina dizendo isso?!!!!" Sim, a Cristina dizendo isso.

Uma hora cansa, gente!  Já pensei em fazer um cerimonial de "despedida da juventude" quando finalmente eu me sentir liberta de todas essas tranqueiras. Deve existir um dia especial no qual a gente chuta o bande e manda tudo às favas. Um dia em que nada mais importará e usarei  mocassim com saia de bolinhas e camisa xadrex. Não gostou? Dane-se, não preciso da sua opinião.  

Não são bem os olhares alheios que me incomodam: é o meu próprio olhar.  Quero crer até que já venci essa "etapa dos olhares alheios".   Meu olhar é pior do que o alheio. É exigente e enxerga cada detalhe constrangedor!   Mas o dia vai chegar - tô avisando! em que nada mais importará. Vou acordar, empunhar uma espada e gritar em frente ao espelho:   CHEEEEGAAAA! INDEPENDÊNCIA OU MORTEEEE!!!

Vou levantar, abrir os armário e jogar fora todas essas porcarias de que eu tanto gostava:  os odiosos aneizinhos, os brincos chatos, os desconfortáveis sapatos altos, as roupinhas justas,  as bostas de cintos que tem que combinar com tudo, a escravidão das tinturas de cabelo, as roupas de academia delatoras (e que explodam todas as academias!), o adoçante,  as montanhas de bolsas. E nunca mais vou ao salão. E vou cortar o cabelo igual a todas as velhinhas. Chega de lutar para desembaraçar essa moita. Além do mais, quando o vento bate e ele esvoaça, meu cabelo enrola nos brincos e gruda no batom, sabia?  Uma perturbação. Sim, os cabelos também estão com os dias contado. Tesoura neles!

Olho as velhinhas de cabelos brancos com aqueles vestidinhos largos sem graça, compridos, as sandálias baixas feinhas e pernas cabeludas. Elas estão lá, tranquilas e bem a vontade sendo o avesso da sensualidade. Legal!  Estão dando uma banana para todo mundo, especialmente para os homens. Já tive vontade de entrevistar uma senhora dessas e perguntar a partir de que idade elas pararam de pintar os cabelos, abandonaram os saltos altos, as roupas justas e tiraram férias. Qual idade é essa? Sessenta anos? Sessenta e cindo? Setenta?  Preciso saber quanto tempo falta. Quero ir me preparando.

Como será o meu grande dia? Está perto? Está longe? Acontece de repente ou vem aos poucos e a gente nem nota?

Enquanto ele não chega, vou terminar esse texto e dar uma passadinha no shopping só para conferir as novidades. No retorno bato o ponto no salão.

Volto já.
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