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28 de jun de 2017

Bokeh

Acabei de assistir o filme Bokeh. Logo em seguida tive uma ótima ideia: escrever a respeito. Mas alguém pensou nisso antes de mim, claro.  Dei uma procurada na internet para ler algo a respeito. Encontrei principalmente AQUI  mas também aqui, no "Dicas de Cinema": 

"Não é um filme brilhante, arrebatador, de grandes emoções, mas é algo bem feito e que pode propiciar um estudo interessante da natureza humana. Das necessidades imediatas e daquelas que são fundamentais para o ser humano. O que é imprescindível, afinal?"

Bem, metade de tudo o que eu diria já estava lá, desconcertantemente exposto. Sendo assim fui poupada do trabalho exaustivo de primeiro explicar para vocês do quê se trata a película.  Ótimo, vamos  pular logo para os "finalmentes".

Possivelmente não era intenção do idealizador do filme que ele tivesse uma "moral da história".   Parece que ele só queria mesmo instigar.  Conseguiu. Mas fui além: achei uma "moral da história" por minha conta. Ei-la:

Por pior que pareça ser o nosso próximo, por mais desprezível que seja o vizinho e mais chatos os nossos parentes; por mais insuportáveis que sejam determinados povos e determinados conhecidos, a vida no planeta seria impossível sem eles. Não necessariamente por motivos práticos de subsistência, mas por motivos emocionais.  É isso que vi estampado.

Quando pensamos em um cenário de fim do mundo só nos preocupamos com água, comida, abrigo, energia. Coisas práticas e palpáveis para a manutenção da vida. Tendo isso geralmente pensamos: problema resolvido. Mas você aguentaria o peso emocional de ter o mundo todo só para si e um companheiro? Mais ninguém?  Eu aguentaria viver sabendo que eu era a nova Eva no meio do silêncio?  Se tenho um companheiro e um mundo perfeito diante de mim, não está bom?  Não dá pra levar a vidinha numa boa no meio de uma natureza exuberante com abundância de água, de pastos, de animais, abrigo e roupas? Não é tudo o que queremos?

Nada, absolutamente nada parece ter sentido sem as pessoas. No filme a gente sente fome e sede de ver gente.  Não havia um personagem solitário, mas um casal jovem e bonito com o mundo aos seus pés. Não basta? Não é o suficiente? Não. Para a minha surpresa, não. Estranhamente não.

Estou até agora surpresa comigo mesma por ter concluído isso. Por que o mundo não seria perfeito sem pessoas para nos encherem o saco? Por que não seria perfeito sem poluição, sem violência, sem escravidão, sem ambição? Eu nunca tinha pensado que faltando as pessoas faltaria tudo.

Desliguei a televisão e me senti reconfortada por ver carros passando, gente na rua, mensagens no celular, vizinhos. Eu aguentaria o peso de seguir adiante sem eles?
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