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12 de mai de 2007

Com motivo




Tenho bons motivos para postar estas fotos.
Sei que elas estão famosas na internet. Você já deve te-las recebido mais de uma vez em seu e-mail, enviadas sob o título de "Um Minuto Antes da Surra."

Essas fotos não estão aqui apenas por serem engraçadas. A intenção não é fazer rir; é fazer lembrar... Elas estão aqui para nos trazer à memória aquela coisa deliciosa que nunca mais vivemos, nunca voltaremos a provar e que até esquecemos de que um dia existiu.

Falo da alegria pura e despreocupada de fazer travessura. Falo da euforia de criar e se divertir com a própria criação. Falo de ser dono do mundo e poder mudar a utilidade dos objetos sem nem cogitar se isso seria ou não permitido.

Pois é. Essa capacidade é uma das coisas que perdemos inapelavelmente quando ficamos adultos. Não que tenhamos deixado de fazer travessuras. As vezes até fazemos. Mas faça um teste: apronte uma "traquinagem" caprichada e corra para o espelho. Se você flagrar em seus olhos um brilho pelo menos parecido com o dessas crianças eu entrego os pontos dizendo que estou errada.

Olhe bem para elas. Não vem à lembrança o quanto era gostosa essa coisa de simplesmente não conseguirmos pensar no resultado de nossas ações?

Amigo, você perdeu isso. Meus sinceros pêsames. Você pode até fazer m... e sentir certo contentamento momentâneo mas ele logo cede lugar a uma espera torturante: o"resultado".

Mesmo sem o fantasma do resultado, as travessuras adultas não produzem esse mesmo estado de graça que percebemos nessas crianças.

Olhe só o menino da tinta branca como parece feliz! A alegria que ele sentiu produzindo e depois contemplando sua obra de arte é uma coisa maravilhosa que nós adultos simplesmente não temos mais.

Com toda a sinceridade: a foto do menino sujo de tinta me comove mesmo. Dá até um aperto no coração, uma saudade doída, uma imensa ternura por ele.

Que vontade de abraçar o menininho! Que vontade de rir com ele e esquecer o preço de cada coisa que ele estragou!

Confesso: eu queria sentir isso de novo. Sem prever o resultado, sem culpa e sem medo da chinelada.

Já não basta perdermos com o tempo a pele de pêssego, tínhamos que perder isso também? Não me parece justo...










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