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11 de mai de 2007

Proponha


"...Que os braços sentem
E os olhos vêem
Que os lábios sejam
Dois rios inteiros
Sem direção..." Skank

Hoje apaixone-se.
Ou invente uma paixão. Dê seu jeito.
Nada será falso. Será um delicioso quase-verdade. E afinal de contas o que é verdade nessa nossa vida?

O amor é inventável tanto quanto a história é reinterpretável. Será verdade se você quiser que seja. Se publicar em livros didáticos melhor ainda. De qualquer forma valerá pela fantasia e pelo momento mágico (mágica também é inventável!) com direito a tudo. Eu disse tudo.

Proponha isso a alguém. É bem possível que esse alguém também esteja carente de uma paixão avassaladora (e quem não está?) e tope a brincadeira. Já pensou que esse alguém também possa estar vivendo em preto-e-branco?

Monte um esquema e faça de conta que está morrendo de amores por aquela pessoa pela qual você não morre de amores. Espante os receios garantindo que à meia noite o encantamento acaba e que por isso o risco de sofrimento é mínimo. Taí uma mentira necessária.

Brinque disso mas não se assuste se de repente uma luz fora do script acender-se nesse palco.

Você vai gostar. Monte essa peça teatral só porque é bom e tem a ver com os sonhos de todos os mortais. Mate de inveja os acomodados e diga sim à pirataria.

Creia: uma encenação dessa poderá até atrair bons fluidos! Desperte a curiosidade do Amor. Quem sabe ele se aproxime de vocês só para observar. Quem sabe ele goste, encante-se e deixe-se estar. Essa é a hora: sequestre o Amor!

A idéia de sequestro lhe parece um tanto violenta? Tudo bem, fique com o plano B: finja que não notou a presença do Amor observando por trás do palco, embevecido. Capriche na encenação e espere que ele se comova. Sabe, esse tipo de esforço é mesmo tocante. E quem sabe uma vez comovido o Amor até se esqueça de ir embora.

Cristina Faraon
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