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11 de nov de 2008

Bolha de felicidade


Cansados, cansados. Tiramos oitocentas fotos, transamos no hotel depois do cochilo e saímos pelas redondezas. encontramos poetas de bigode, poetas de violão, poetas encaracolados, enamorados, bêbados, jovens e velhos. Estranho... Pra todo canto que olho... todo mundo é poeta!
Eu hein!
Um brinde a isso!
Chope gelado, frituras irresponsáveis, o corpo amolecendo gostoso. Cheiros, cheiros diversos: de farofa, tapioquinha, churrasquinho de gato, batatinha, pipoca, do látex dos balões das crianças, da vala, da tinta da nossa camisa recém comprada.
De tanto andar o sapato dói. A gente tira, joga longe mas depois vai buscar, morrendo de rir. Aí aproveita e ri dos velhos, dos jovens, do gato pirento, da criança chorona. Melhor sentar um pouco.
Mesa do bar na rua, é claro, e violão aveludado. Entremeamos silêncios tranquilos com impulsos falantes. Imaginamos ganhar na loteria, imaginamos perder tudo, sair do país, ficar por aqui e virar pescadores... Imaginamos situações incríveis quando olhamos para o céu ou para a rua.
Mais tarde vamos dormir agarradinhos. Todas as nossas falas vão se misturar em nossa cabeça e vão gerar os sonhos mais malucos do mundo.
Adoro sonhos malucos, desses que a gente conta e as pessoas nos olham pensando "credo, que cabeça!"
Sonhos malucos vão bem no barzinho, vão bem em roupas de algodão, vão bem na praia. Só deveríamos sonhar maluquices porque nem sempre podemos vive-las. Sonhar que morri e vivi de novo, que montei em um tubarão, viajei em um avião inflável, que comia melado com feijão, que riscava o carro do vizinho, que todo mundo ria da gente, que a roupa se dissolveu em público, que viramos cangurus saltitantes, que nossa casa era molenga e a chave era de biscoito...
Assim, passeando com o cabelo ressecado do sol, a barriga cheia de tanta besteira, o tempo não passa nem deixa de passar. Não vai nem fica.
O tempo passa quando temos pressa e deixa de passar sei lá quando. Mas quando se ama e se está feliz, feliz ao ponto da irresponsabilidade, sem segunda-feira pra encarar, aí o tempo não passa nem pára. Ele é simplesmente é jogado fora, de-fe-nes-tra-do.
Quero tudo isso, mas com o sentimento que essa foto inspira, esse ar de coisa boa, comida mineira, cuzcuz baiano, caipirinha.
Saudade das noites mornas de beira de praia. Saldade das saias longas nas noites mornas de beira de praia. Saudade de mim ontem, com uma pequena bolha no pé, uma bolha de tão feliz. Sabe como? Dessas que aliviam mansamente no geladinho do mar.
Cristina Faraon
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