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24 de dez de 2008

Gilberto "Knuttz" Soares, os críticos e os amigos

Acabei de ler um artigo de Gilberto "Knuttz" Soares intitulado "Uma horda de chatos" referindo-se aos críticos de cinema.

Nos primeiros parágrafos deu logo vontade de parar de ler. Mas se quero falar mal do cara devo pelo menos ler seu texto até o final.

Achei incrível ele dizer, do filme “O Amante” (começo dos anos 90, um filme francês) que foi chatíssimo. Gente, ele achou aquela obra prima chatíssima! Eu vi e amei. Vi sem ler a crítica. Fui ao cinema por falta do que fazer na época, fui na sorte. Depois é que descobri que estava sendo badaladíssio, elogiadíssimo etc. Filme maravilhoso e esse "poço de sensibilidade" consegue dormir. Mas tenho que respeitar, tenho que respeitar, tenho que respeitar.

Mas dá pra entender: dormindo não dá pra gostar nem de sexo. O senhor Gilberto diz que dormiu no cinema? Tudo bem, o gosto é dele mas será que ele dormiria tendo a Juliana Paes fungando em seu pescoço? Não, peguei pesado. Não deve ser a mesma coisa.

Acho que o rapaz deve mesmo é deve ter sentido falta de umas perseguições de carro, umas explosões, essas coisas. Outro estilo.

Depois de detonar com os críticos, chamá-los de chatos e dizer que os ignora quase que por completo ele resolve remendar um pouco dizendo que "não estou falando que críticos são inúteis, longe disso..." Hum, tá.

Vou falar por mim. Tenho minhas opiniões próprias, claro, mas gosto dos críticos. Eles me são bem úteis. Para o meu gosto não acertam todas, mas a gente concorda lá pela casa dos 85%. Tanto faz se leio a crítica antes ou depois de assistir o filme; quando vou checar, é tiro e queda. Com o tempo fui vendo que dar uma olhadinha no que eles dizem antes de eu sair de casa pode me poupar de contrariedades.

Não me limito a eles, claro. Algumas vezes teimei, fui pelos amigos, pelo trailer, pelo cartaz do filme... e quebrei a cara. Geralmente quebro a cara mas já houve situações sim nas quais eu os ignorei e valeu a pena. Poucas.

Agora, amigo... Amigo é fria quase que na certa. Eu os ouço, mas é perder tempo. Tenho uns amigos que consulto sempre "ao contrário". Se fulano gostou, certamente o filme é uma bosta. A margem de erro entre os amigos fica lá pela casa dos 60%. Prefiro os críticos.

Mas só para não dizer que o Gilberto está de todo errado, vou citar um caso em que a crítica me traiu. Foi em relação ao filme O Piano. Fui assistir pensando que era liiindo! A fotografia era mesmo, mas a história... não vi nada de mais. Mas não cheguei a dormir.

Quanto aos amigos: meus amigos adoraram À Espera de um Milagre. Para mim ess filme não passou de uma sequência de idiotices. Ridículo. E O Pianista? Aquele, do cara narigudo? Um interminável control C + control V de tudo o que é filme de segunda guerra que você já viu. Um requentadão, nada mais.

Voltando a alfinetar Gilberto, ele encerra suas palavras fazendo duas coisas:

1) Dando um conselho: "seja você mesmo seu crítico!" É um conselho de utilidade zero. Preciso de crítico antes de assistir. Depois, todo mundo "é seu próprio crítico", ora! Todo mundo sai do cinema achando alguma coisa. Exceto aqueles que dormiram, claro.

2) Sugerindo que ao invés de críticos, frequentemos sites de aficcionados em cinema. Só que nesses sites eles colocam listas de filmes bons, clássicos, fazem indicações... E tudo isso não deixa de ser crítica, ora bolas!

Já sei do que Gilberto não gosta: ele não gosta de ser flagrado na contamão de um intelectual. Melhor discordar de sites, no genérico, do que de um punhado renomado que diz que tal coisa é boa mas ele não consegue apreciar...


Cristina Faraon

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