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18 de dez de 2011

Generalidades sobre os conselhos

Esse não será o meu melhor texto, mas lá vai:

Acho que a maioria das pessoas não gosta, mas eu aprecio ouvir conselhos. Só não sei dizer por quê.

Às vezes entro na internet só para ler aqueles sites de citações. É interessante, mas peça para eu falar uma! Esqueci tudo. 

Não são os conselhos que nos guiam, mas a nossa própria sabedoria ou capricho. Quem tem juízo, tem; quem não tem, não há conselho que ajeite. 

Fora a teimosia, às vezes penso que nos pesa uma espécie de "carma", algo como "o que tiver que ser, será, independentemente do que se diga".  No Brasil é assim: todo mundo sabe o quê certas políticas do Governo podem causar a médio e longo prazo mas mesmo assim... O abismo nos chama e não sei qual argumento otimista nos impele para o buraco.

Tragédias anunciadas são o que mais existe no mundo e mesmo assim cada um procura cumprir a sua.

Frases brilhantes são como conselho de vizinhas desocupadas. A gente só ouve mesmo quando está igualmente desocupado. Depois esquece. Ou pior: guarda o que ouviu para, no futuro, usar contra o próprio conselheiro.

Frases brilhantes são conselhos disfarçados. Como são de graça a gente aceita, da mesma forma que aceita aqueles folhetos no semáforo. Para quê servem os conselhos, então?

1) Para ouvirmos as pessoas jogarem na nossa cara o famoso "eu bem que avisei!"  E digo mais: a coisa é tão perversa que ainda que elas fiquem caladinhas nós sabemos muito bem o quê estão pensando. Frequentemente o pensamento alheio ecoa em meus ouvidos.

2) Servem para pecarmos com mais culpa. Quando alguém está planejando fazer uma coisa proibida, às vezes pede conselho. Pra quê? Só pra dizer para si mesmo que se esforçou em sentido contrário. Depois levanta e simplesmente FAZ. A pessoa quer acreditar (e quer que você acredite) que está em cima do muro, mas emocionalmente já pulou para o outro lado há muito tempo. Somos assim, cheios de álibis.
 
"- Será que esse sonho engorda?
-Sim, não coma!;
-Obrigada pelo conselho. Moço, embrulha dois sonhos pra viagem!"  

Assim caminha a humanidade.

 3) O conselho serve mais ao conselheiro do que ao aconselhado. O conselheiro se sente útil e vai pra casa com aquele gostinho na boca de boa ação. Depois lava as mãos e deita feliz em seu travesseiro dizendo para si mesmo que militou pela melhora do mundo, fez o que podia e não tem culpa se nada mudou.

4) O conselho serve como uma desculpa para você contar a história pela sua versão.

O consolo (e o terror) é que parece que existe gente que faz tudo errado e se dá bem e gente que faz tudo certo e leva se lasca. Pra qualquer lado que eu escolher, o futuro é incerto. Tudo é relativo.

Tudo é tão relativo que qualquer dia desses vou escrever outro texto só pra desdizer o que estou dizendo agora.
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