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13 de jun de 2012

Divagando sobre a solidão


Talvez por isso é que nós insistimos em aceitar desculpas. Talvez por isso é que nós perdoamos. Por isso tentamos mudar e maquiar os nossos modos. Temos medo do escuro.

Ninguém é mais nem menos sozinho do que o outro. Parece-me, isso sim, que a diferença é que uns sabem que estão sozinhos, outros ainda não se deram conta disso. Na época da calamidade as pessoas acabam descobrindo a verdade: "quando perdi tudo fiquei só, os amigos se foram!"  Mas não se trata de abandono, é só choque de realidade.

Impossível separar a ilusão da vida real. Certa vez tentei fazer isso mas o mundo que sobrou foi uma folha de papel em branco. Dentro de um sonho tudo é real. Se é sonho, claro que as coisas são reais ali dentro. Absolutamente reais. Mas nem por isso deixa de ser sonho.   Assim é tudo o mais.

Estou divagando.

Só o amor correspondido acaba com a solidão. Pra você ter ideia do quanto somos sós: amor já é raro, correspondido então, nem se fala!  O amor não é o fim da solidão, mas da sensação de solidão. Porque solidão é só sensação, assim como o estar acompanhado. Não se trata de estar fisicamente avulso. Quando alguém te agasalha dentro do peito, só aí seu frio passa. Mas você só percebe isso se guardar aquela pessoa lá dentro também.

É raro, meu Deus, é raro.

Por isso nos distraímos trabalhando tanto. Por isso perdoamos. Por isso sonhamos e nos ocupamos. Por isso acreditamos nas desculpas. Por isso vencemos a lógica e mergulhamos valentemente em nossos sonhos, porque é próprio dos humanos  agarrarem-se a qualquer coisa que lhes empreste a impressão de que não estão sós.
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