.

.

17 de dez de 2016

Conta outra, cara!


Aprecio os guarás. Eles tem uma cor linda que "agarra" o nosso olhar. Eles se destacam em qualquer paisagem. São muito bonitos.

Conversando sobre isso com meu marido ele me informou com a cara mais séria do mundo que os guarás tem essa cor porque comem muito caranguejo.   Olhei para ele com o canto do olho e ar de desprezo porque ele estava tentando gozar com a minha cara, abusar da minha credulidade. Mas ele completou a historinha: o caranguejo tem em si um pigmento que passa para as penas dos guarás. Comeu, coloriu.

Eu ri. Muito criativo! Aí ele me olhou e disse que era sério. Eu falei que ele estava de gozação e que tava bom de parar mas ele sustentou que o lance dos guarás era aquele mesmo. Eu já estava ficando aborrecida por ele me achar capaz de crer numa bobagem dessa. Ele insistiu na "teoria do caranguejo". Aquela insistência já estava me irritando. Ele me desafiou a pesquisar. Pesquisei e vi que é tudo verdade. Esse mundo é absurdo. Esse mundo é impossível.

A gente acredita em um monte de mentira convincente e deixa de acreditar em um monte de verdade estranha. O guará é só um exemplo de como a realidade pode ser maluca.

Se parar pra pensar, a história da nossa concepção é então mais estranha ainda. Esse negócio de olimpíada de espermatozóide parece fantasioso demais.  Pense:  o espermatozoide sai correndo no meio de uma multidão. Ninguém explicou nada mas todos eles sabem direitinho o caminho. Nasceram sabendo. Como assim?  Até hoje tem um monte de lugar que não acerto ir sem GPS! Aí um deles se destaca no meio da galera e chega na frente. Dá de cara com o óvulo que está lá distraído de porta aberta. Ele aproveita a deixa e invade. Dá uma de posseiro, na raça. Se tranca lá dentro e não sai mais nem com notificação de oficial de justiça.  Os outros ficam do lado de fora desesperados, esperando a morte chegar com um vergonhoso sentimento de derrota. Depois que está tudo calmo e a gritaria cessou ele se entrega a uma estranha mutação. No começo ele não passava de uma vírgula que sabia nadar mas depois vão nascendo uns acessórios que o faz parecer um girino. Mas ele não quer ser girino! Então continua mudando, mudando, crescendo e pumba! Vira um bebê. Poderia virar qualquer coisa: um coelho, um dedão independente, uma lacraia ou apenas uma vírgula maior, mas não, ele vira um bebê humano! E ninguém sabe dizer ao certo como se deu a mágica. Um dia ele se enfada com aquele desconforto e resolve cair fora. Mas esse clamor por espaço só acontece aos nove meses certinho. E ele não tem relógio nem calendário.  Como ele sabia que é justamente esse o prazo do contrato de aluguel?  Ninguém explica.  Ele sai por um orifício mínimo, uma estranha porta automática que estica e depois encolhe.  E tem mais! O bebê cresceu naquele ambiente horrivelmente apertado mas quando sai não se torna corcunda.

Só quem acredita em Papai Noel engole de cara uma história dessa sem questionar. As crianças estão perfeitamente aptas a acreditarem nessa loucura. Não entendo por quê inventaram a história sem graça da cegonha.

A história da nossa vinda ao mundo é muito mais maluca do que a do guará. E eu confesso que só acredito mesmo porque já vi acontecer comigo. Só não me peçam detalhes porque se eu parar para pensar bem... acho a história da cegonha muito mais plausível.


Postar um comentário