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21 de dez de 2016

O espinho da sanidade


(Texto de Caio Fábio D'Araújo)

"...E quando você encontra um ser humano mais sadio, com as coisas mais bem resolvidas, e ao invés de essa pessoa ser a companhia que faz bem ela é a companhia que te perturba, que você rejeita, que quanto melhor ela te trata pior você fica? E quanto mais carinhosa ela é mais desmontado você se torna? E quanto mais normal ela se manifesta, mais os calombos da sua alma se manifesta?...

Você nunca teve essa experiência? Nunca terminou um namoro e teve que honestamente dizer "eu terminei porque era bom demais para mim?" "Porque eu não tinha cacife pra bancar aquilo ali, porque me botava numa maratona existencial de melhora interior, porque a sua forma mostrava a minha deformação e aí era um convívio que eu não quero porque a pessoa vira um espelho que me mostra, que eu me enxergo, que me aflige, que me angustia!"

... Um ser louco como o Gadareno é mais útil à comunidade do que um ser maravilhoso como Jesus. O maluco é muito mais útil, comunitariamente falando. Ele é um ser cármico! Ele é um bode expiatório! Ele é aquele indivíduo que carrega todas as projeções. O ser maravilhoso não, ele faz as reflexões.

O louco faz a absorção das nossas maluquices; o maravilhoso reflete a nossa loucura..."
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