.

.

16 de jan de 2013

A história do requeijão em minha vida




Meu espírito refestelou-se hoje com o filé da literatura. Reli poesias, sonetos, textos brilhantes... Ah! minha pasta de recortes! Ela é mesmo um viveiro de emoções:

“Creio na superação dos erros e angústias do presente... O amor tem vozes misteriosas no coração implume... Fazei-me um instrumento de vossa paz...Mas o espaço que ocupa as minhas poesias me leva de novo junto a você... Não te direi o nome, pátria minha. Teu nome é pátria amada, é patriazinha... Folhas murchas de rôjo à tua porta... Quando eu for uma pobre coisa morta... Ouve estes versos que te dou, eu os fiz hoje que sinto o coração contente... REQUEIJÃO..."
Requeijão?!

Foi quase um tapa. Eu lendo... Eu sonhando... Eu flutuando... Eu me emocionando... Eu escorregando no requeijão. Mas que raios essa receita estaria fazendo em minha pasta de poesias? É o tipo da coisa que quebra o clima. Providências deveriam ser tomadas.

Entendo que tudo na vida é clima, é lance de momento, uma coisa levando a outra mas todas as coisas conectadas - coisa com coisa. "O clima" nasce então de uma espécie de rosário muito bem bolado. Não se deve puxar o pé de uma alma sensível quando ela está a flutuar.

Por falar em flutuar... campinas... flutuar... cerca e café quente... flutuar... pão fresquinho com requeijão. Hmmm... Quem flutuaria assim com essa fome? Impossível. Minha mente a essas alturas estava completamente tomada por imagens bucólicas e cremosas que se esparramavam em minha língua imaginária. Não sei você, mas eu tenho língua imaginária - entre outras coisas. Sorri... Então vieram as imagens de crianças lanchando, felizes e rosadas, suadas correndo pelas campinas da fazenda do vovô. Pingou requeijão na roupa? Não há problema, não mancha!

O leite leite fresco... a Vaquinha Mococa... as santas mãos da fazedora de biscoitos de nata... Gente! requeijão é poesia!
E foi assim que a Receita de Requeijão (agora com letras maiúsculas) passou a integrar, com louvor, a minha Academia Particular dos Imortais - e em uma cadeira entre Cora Coralina e John Donne. E de frente para o Veríssimo. E eles que não caiam na bobeira de olhar atravessado se não eles é que vão dançar.
Ora se faz sorrir, dá prazer, traz de volta a fazenda, a mãe de avental, o bule de café cheiroso, o pão fofinho, a infância sapeca, então decididamente há poesia no requeijão.

Ele fica!
Postar um comentário