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16 de jan de 2013

Paraíso da Hienas

Às vezes a gente se comove com cada música! Há canções cujas letras não fazem muito sentido ou parecem mudar de assunto de uma frase para outra.

Quantas vezes eu ouço, não entendo tudo mas me comovo mesmo assim. É que sei, lá dentro do coração, que estão cantando uma coisa sentida e sensível, partilhando uma dor tão comum a todos nós! ou  que sabe uma cena do passado para a qual somos capturados e mergulhados. Aí me abraço espiritualmente com o artista (as vezes nem entendo seu idioma!) e comungo dessa ânsia, dessa coisa sem nome que afeta as pessoas sensíveis.

Uma melodia, uma voz emocionada, um arranjo inspirado, aquele sax, aquela viola ou piano com seu modo muito próprio de falar de mistérios sem deixá-los menos misteriosos.

Há uma linguagem no mundo, uma linguagem sublime e cifrada que a gente entende. Entende nas entrelinhas da partitura, no jeito, gestos, no tremor da boca.

Uma dessas músicas é Paraíso das Hienas, cantadas pelo saudoso Jessé. Sinceramente, que hienas são essas? Mulheres sofridas? Por que "hienas'? Não importa. Sempre me emociono quando ouço. Outra é Chão de Giz, cuja letra já questionei nesse blog e uma gentil leitora fez o favor de me explicar tudinho. Mas até aí eu só sentia "o ar" da música e ficava muito tocada.

É possível intuir profundidades de amor ou de dor e tudo o mais que não pôde ser explicado. Músicas traduzidas por intuição tornam-se mais que lindas. Somos co-autores, quase donos delas. Há canções tão tolas e tão lindas! Tão herméticas mas tão tocantes!

Deveríamos, a partir disso, desistir da idéia de que cremos no que nos parece razoável. Os seres humanos não funcionam assim. A gente crê, ama e adere àquilo que, sem palavras, nos cativou e convenceu. Porque o verdadeiro convencimento é anterior ao verbo. O argumento do coração dribla nossa mente. A mente só acompanha,  como se fosse um cachorrinho atrasado..

Somos profundamente instintivos e complexos. Nem percebemos no que fomos fisgados. Isso é perigoso e sublime. A raça humana me fascina.



Paraiso Das Hienas

Jessé

Abençoai as hienas
Principalmente as morenas
Tricampeãs mundiais
Pois desse lado do muro
O jogo é tão duro, meu pai
Que só ter piedade de nós não vale a pena (3x)
Oração não voga quando não há vaga
Coração não roga quando só há raiva
E a roupa do corpo três vezes ao dia
Novena não paga ao homem da venda
Não adianta nada, não enche barriga
Subir de joelhos as escadarias
Abençoai as hienas
Principalmente as "da Silva"
Campeãs de carnavais
Pois desse lado do beco
O olhar é tão seco, meu pai
Que só ter piedade de nós não vale a pena (3x)
Oração não voga quando não há vaga
Coração não roga quando só há raiva
E a roupa do corpo três vezes ao dia
Novena não paga ao homem da venda
Não adianta nada, não enche barriga
Subir de joelhos as escadarias
Abençoai as hienas
Principalmente as morenas
Tricampeãs mundiais
Pois desse lado do muro
O jogo é tão duro, meu pai
Que só ter piedade de nós não vale a pena (3x)

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