.

.

13 de set de 2013

Roupas no varal


Palmeiras espiando por detrás dos prédios. Luzinhas piscando "eu tô aqui!"  A torre do O Liberal toda azul, imponente e calma. As meias, shortes e blusinhas penduradas na sacada. Minhas plantinhas com os olhos fitos na minha direção. Claro que querem se comunicar. Querem saber  o que estou escrevendo, afinal de contas. 

Difícil acreditar que o inanimado  seja isso mesmo: sem vida. As coisas convivem, se expressam e relacionam. Não pode ser só impressão.

As roupas adoram quando são sacudidas pelo vento. Ela riem, festejam. É a grande travessura do dia, de brincar de ser pássaro. Elas riem e arregalam os olhos, são crianças felizes.  Da sala os móveis espiam pelos cantos dos olhos, cheios de admiração. Desejariam a mesma brincadeira ao mesmo tempo que a temem. Parece ser tão arriscado! Móveis não brincam nunca, não sabem o que é acenar para os vizinhos segurando o fio só pela pontinha. As cortinas acompanham timidamente, ensaiam o mesmo movimento mas não passam muito disso. Não ousam ser tão efusivas. 

Em todo canto há cor e vida. Parece que só consigo participar disso um pouquinho quando estou só, completamente só, com meus pensamentos e percepções.

Às vezes sou roupa no varal. Às vezes sou como os sofás. 


Postar um comentário