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30 de abr de 2014

A glória da desimportância

Um dia a gente acaba descobrindo que se dava importância demais. Aconteceu comigo. Foi quando percebi que nada é mais cômico do que levar-se muito a sério.

Um momento de distração e a gente esquece de deixar pra trás as coisas de criança. É como levar para a empresa, na bolsa, uma mamadeira.

As crianças se julgam o centro do mundo. Tudo gira em torno delas. A parte ruim é que quando os pais se separam muitas delas se sentem culpadas (li sobre isso). Estranhamente acreditam que fizeram alguma coisa de errado e por isso os pais brigaram. São tão importantes que a culpa só pode ter sido delas. Pobrezinhas!  Será um alívio quando descobrirem que não têm superpoderes.

Cada um de nós tem um raio de influência sutil e rala.  E só.

No passado estávamos muito ocupados pilotando nossa própria juventude. Quando o trem pára a gente é obrigado a pensar. As questões entram pela nossa janela como aquelas formigas de asas depois da chuva.

Pensar é que muda as coisas. Pra nós, não pro mundo.

A questão hoje é: com a velhice as pessoas vão mesmo perdendo a importância? Ou não é nada disso? Na velhice as pessoas apenas descobrem que nunca tiveram importância coisa nenhuma?

Com o tempo as pessoas vão encolhendo, encolhendo, ficando pequenininhas até desaparecerem dos olhos do mundo? Ou o fato é que nunca fomos mesmo essa Brastemp toda?

Eram os outros que nos davam mais valor do que agora ou nós é que acreditávamos nisso? Realmente fomos o que pensávamos ser? Já sei: a culpa é da mãe! Era ela que fazia com que nos sentíssemos especiais. Perder a mãe é uma coisa que nos joga na vala comum. Ora bolas.

Tragam minhas pantufas!

A glória da desimportância é perceber que quem não tem o poder de salvar o mundo também não pode pôr tudo a perder.  Não sei como é com  você, mas pra mim essa verdade desvendada teve um efeito libertador.  Minha humilde pessoa perdeu uns 100 quilos.

Por mais grave que pareçam os meu erros, não tenho estatura nem estrutura pra parir uma catástrofe. Fiquem tranquilos.

Se nunca fui importante ou se encolhi, o importante é que emoções eu vivi.

O fato é que sou uma coisa que vai ficando mais livre a medida que diminui - ou à medida que se torna consciente da sua real estatura. A tensão no pescoço diminui, os ombros descontraem, a respiração flui.  É bom demais saber que não vou entrar pra história por ter afundado o Titanic ou algo assim. Aliás não vou entrar pra história por motivo algum.

Esse manto de invisibilidade me cai muito bem. Agora me dê licença que eu vou assar uns pãezinhos.
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