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12 de jun de 2014

A hora do hino

O momento em que se canta o hino nacional, para mim, é sempre muito emocionante. Imagino que deve ser dez vezes mais arrepiante para os atletas no meio de uma arena, de um estádio, cercados por milhares de pessoas. Cantar acompanhados de compatriotas participantes da mesma história e desilusões. Mas nessa abertura da Copa o que mais me pareceu tocante não foi exatamente aquela emoção conhecida que acabei de mencionar. Havia outros sentimentos sutis no meio de tudo. Não sei se é só uma impressão minha...

Ver aquelas pessoas cantando com tanta energia...  parecia transparecer uma vontade louca de se auto afirmar, de se impor, de levantar a cabeça! Havia uma dor,  uma frustração por não podermos nos orgulhar de tudo. Sabe aquela raiva? Sabe aquela tristeza por ter que levar na brincadeira e na piadinha as coisas que nos machucam e humilham?  Nunca fizemos tanta piada quanto agora. Há todo tipo de frase e charge espirituosa.  Tudo isso para a realidade doer menos.  Só as piadas nos ajudam a não ficar de cabeça baixa. O mundo nos vê e nós queríamos olhar nos olhos deles, se não de cima pra baixo, pelo menos de igual pra igual.

Na hora do hino vem tudo à tona, engata na garganta e transborda pelos olhos. Podia ser tudo tão diferente! Poderíamos nos orgulhar dos nossos estádios, mas terminamos por ter vergonha deles! Meu Deus! Todo o mundo já sabe como a Copa foi feita. Nós queríamos nos perceber como nação viril e lutadora, culta, consciente e orgulhosa, como um povo que se impõe. Por isso cantamos assim hoje, quase com fúria.

Aquelas lágrimas eram também por mágoa de estarmos tão aquém do que poderíamos. Na hora de cantar sentíamos dor, vontade de carregar o Brasil no colo, acarinhar e curar todas as feridas. Cantamos pra fixar os olhos em nossas belezas naturais, no nosso verde-e-amarelo, na nossa alegria, em qualquer coisa que nos colocasse um pouco pra cima e nos consolasse.

Ah como queríamos que a letra do hino  fosse uma expressão fiel da nossa realidade, coragem e valentia! Que vontade de sentir só orgulho, sem tristeza ou vergonha. Que vontade!


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