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12 de nov de 2014

Castelo e música

Amanhã  estarei fazendo mais um aniversário.  Estou ouvindo uma música que me força a recordar o passado e a pensar na brevidade da vida e no por que, afinal de contas, uma vida tão breve as vezes parece tão longa. 


Toca uma música tão linda e nem sei em quais circunstâncias de dor ou alegria foi composta. Se havia frio ou se a lareira alegremente aquecia a noite. Se os cheiros eram comuns ou se os cheiros antigos tinham alguma peculiaridade. Só sei que essa música me faz lembrar tanto de amores profundos quanto de cemitérios azuis enevoados.

E delicadamente agora alguém toca o teclado derramando mais música nesse texto disperso e meio triste. Sei que a fragilidade inevitavelmente vai vencer meu corpo é um dia não terei mais interferência alguma no mundo dos vivos . Não  consigo imaginar como será meu sentimento quanto a isso. Pasma? Aflita? Revoltada não, mas saudosa? Um dia serei menos do que sou.  Meu único medo é morrer de saudade. 

Um dia talvez verei este meu mundo palpável da mesma forma com que vejo o mundo virtual: uma possibilidade maluca e intangível .

Agora entrou o violoncello, grave e apaixonado, intenso e ininterrupto. E lembro do quanto já fui vibrante, apaixonada e intensa e o quanto  é cansativo ser assim dentro de um cofre. Hoje não sei mais se houve alguma vantagem em ser como eu era. Um dia serei lembrada por quais características? 

Não sei se está faltando alguma coisa na minha vida. Tomara não descobrir nunca.

Entrou um órgão. Órgãos me lembram casamentos , batizados e parentes antigos.

Agora me toca o som gelado do cravo e não penso em outra coisa a não ser nas pedras geladas que formam aqueles antigos castelos europeus. Quanta chuva e neve...quantas histórias e valentias vãs! E quantos amores desperdiçados.  

Esse ano realizei o sonho tão querido e acalentado de entrar em um castelo de verdade. Como uma princesa. Então  me ocorre perguntar se depois da minha morte também vão me achar lúgubre como os castelos ou desperdiçada como as princesas... Tenho alguma semelhança  como aqueles frios e silenciosos castelos que jamais conseguiram nos contar suas verdadeiras histórias?
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