.

.

11 de jun de 2015

Fugitivos


Sabe uma coisa que cansou?  Datas festivas que nos lançam em um mar de obrigações. Nada contra as comemorações em si.  Gosto de festa e dou tudo para estar com a família e os amigos. Mas da feita que isso vira um peso, alguma coisa tem que mudar.

Eu te proponho:

Aceito sugestões para darmos nome a esse movimento. Pode ser "The day after" ou "Movimento do Outro Dia" ou "Fugitivos".  Funciona assim: a gente se insurge contra a data padrão.  Damos um chute nas correrias, preços abusivos, restaurantes lotados e cozinheiras indisponíveis. Mandamos tudo para as cucuias e combinamos com a família: de hoje em diante todas as datas comemorativas serão celebradas um dia antes. Ou um dia depois, sei lá.

Cada dia mais me convenço de que a maior parte dos nossos sofrimentos sociais poderiam ser neutralizados se fôssemos minimamente  rebeldes contra o sistema.

Natal. Essa data não deveria significar "calvário".  "Vou dar uma passada na casa da minha mãe depois na casa da minha sogra depois na casa da minha tia!... Ufa! Depois eu passo aí."

Meu Deus pra quê isso?  Todo mundo está careca de saber que Jesus não nasceu no dia 25 de dezembro, então porque não podemos fazer uma ceia em paz, com todo mundo tranquilo e feliz no dia 20 ou 23 ou 28? Porque tem que ser naquela data fatídica onde já existem cinco festas que você não pode faltar? Por que uma pessoa tem que passar o dia na cozinha preparando um jantar para convidados que já vem de duas festas cansados e com o estômago lotado?

Vamos repensar tudo! Por que Dia de Natal? Por que não Semana Natalina onde a ceia e o Amigo Invisível possam executados - no bom sentido - com tranquilidade?

- "Ah, mas se não for no dia não tem graça!"  Não tem por que? Quem disse isso? Não tem graça é ser do jeito que está sendo! A graça é a gente que faz; depende de costume e convencimento. Tudo é condicionamento e se for para o bem geral, por que não?

E Dia das Mães com restaurante lotado, fila e preços 30% mais caros? O que te obriga a isso? Por que não marcamos uma simpática homenagem para a nossa mamãe no dia anterior, com calma e em paz? Um dia com a sua mãe, outro dia com a minha. Pronto!

Dia dos Namorados: meu Deus, que suplício! Não existe restaurante viável.  Nem bar nem lanchonete nem carrinho de cachorro quente. Tudo lotado. Fila pra motel - haja viagra! Quem consegue transar sabendo que tem uma fila de cinco carros atrás de si xingando e amaldiçoando o seu desempenho? Por que se deixar subjugar por uma ditadura tão sem sentido? Que tal restaurantes mais tranquilos e românticos, cidade calma e atendimento mais atencioso?  No "Dia dos Namorados" propriamente dito vocês podem simplesmente colocar o pijama e ver um filme romântico agarradinhos com a cama cheia de pipocas.

Nunca mais esqueço daquele ano em que resolvi o seguinte: não vou fazer ceia dia 24. Cada um vá para onde quiser.  Nossa confraternização familiar será o almoço do dia 25. Foi um alívio pra todo mundo e uma alegria pra mim. Cada um foi ver a avó, a mãe, a sogra, a tia da amiga da prima, e finalmente no dia seguinte pudemos estar todos juntos. Sério: foi um dos dias mais felizes da minha vida porque todos puderam comparecer sem desespero.

Pois essa é a minha proposta. De hoje em diante, que tal darmos a nós mesmos e aos nossos parentes um NATAL REALMENTE DE PAZ?

Ou será que você é tão escravo do sistema que não pode cogitar nem nessa pequena rebeldia?



Postar um comentário