.

.

7 de fev de 2016

Amor com sede


Em alguns casos ter vergonha é uma vergonha.  Mas nada é tão reconfortante quanto descobrir que nossos amigos tem as mesmas fraquezas nossas e que, afinal de contas, somos farinha do mesmo saco. Certo dia li  no finado blog de uma amiga a seguinte confissão:

"Quando era criança tinha muita vergonha. Assim como qualquer menina (o). Mas o quê eu tinha vergonha mesmo era de dizer "Eu te amo" para minha mãe. O tempo passou. Continuo passando e o constragimento permanece. Em menor escala, mas permanece. Na verdade, atualmente procuro fazer diferente. Isso porque hoje em dia tento logo falar quando amo alguém. Amor é para ser dito, gritado, esfregado na cara do mundo. Afinal, o único acordo que fiz com a vida foi ser feliz. Se não for assim, me mata logo..."

Sempre me senti assim com minha mãe. Passei a vida tentando dizer "eu te amo" sem palavas mas nunca adiantou muito. Embora as pessoas advoguem que as atitudes falam mais alto - e falam mais alto mesmo -  ainda assim as palavras são indispensáveis e insubstituíveis.

Atitudes devem somar-se às palavras, jamais tentar substituí-las.  "Te amo" sem palavras não passa de uma desconfiança. "Te amo" sem atitude é apenas uma mentira.  O "te amo" verdadeiro é um bem-casado de palavras + atitudes. Tem que pronunciar sim. Não tente fugir disso.

Lamento muito minha desprezível timidez. O castigo para pessoas assim é que jamais sentem o descanso feliz do amor plenamente revelado.  O amor, para elas, vai ter sempre um "quê" tristinho, uma dorzinha, uma sede que não passa. O amor que não se diz é o amor com sede.

Por quê às vezes é tão difícil dizer "te amo"?     É compreensível que nos envergonhemos de dizer "estou com inveja" ou "espero que tudo dê errado em sua vida". Mas o que há de constrangedor em dizer que EU TE AMO?

Por quê tantas coisas que deveriam ser simples acabam embaralhando? Por quê me exponho tanto aqui, no blog? Por quê você não comenta minhas postagens?

Tá vendo? A vida é cheia de mistérios.
Postar um comentário