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11 de fev de 2016

Momento sensível



Assim, do nada, deu vontade de me abrir e me dar uma humilhada. De leve. Contar pra vocês de uma situações em que simplesmente tenho pena de mim.

Tenho pena de mim quando saio de casa depois de levar um tempão me maquiando. Aí chega uma pessoa super bem intencionada e tenta me ajudar com respeito às manchas de melasma no meu rosto. "Já usou tal produto? Olha, tenha uma amiga que tinha esse problema e se deu super bem!"  A parte comovente dessa historiazinha é ter ficado tão claro, depois de quilos de maquiagem, que não adiantou nada. Dá sim pra ver as manchas e aquela sensação de "agora sim, acho que ficou melhor" é totalmente ilusória. Aí na primeira oportunidade me olho novamente no espelho e juro que não vou mais me dispor a passar o dia todo com aquela sensação desagradável de cara melada se não adiantou nada. Então chego em casa, lavo o rosto e constato pela milésima vez que a diferença agora é tanta, mas tanta, que volto atrás. Vou me maquiar sim até o último dia da minha vida.

O drama maior não é a mancha aparecer. O drama maior é eu me importar com isso e gastar tanto tempo e dinheiro tentando esconder o "inescondível". Pobre Cristina.

Tenho pena de mim também quando chego a acreditar que evoluí. Eu era tão fechada com as pessoas antigamente! - digo a mim mesma. Agora, depois de muito esforço e auto lapidação, sou mais sociável e quem sabe até simpática.Aí um dia, de repente, alguém deixa claro que não fui atenciosa o suficiente  ou que fui um tanto grosseira.  Cai na minha cabeça um balde de desapontamento. Não houve sucesso: meus esforços para ser uma pessoa legal foram inócuos. Odeio concordar, ainda que por segundos, com os que afirmam que ninguém muda, tudo isso é ilusão, cada pessoa é o que é e pronto.  Fico pensativa por um tempo e indecisa entre a delícia de me dar trégua e a delícia de acreditar que posso cultivar e colher, em mim, as virtudes que vejo no outro.

Não consigo ser melhor. Mas essa não é a parte comovente. A parte comovente é eu nadando contra a maré por sentir tanta necessidade de ser o que não sou. É como ver que a maquiagem não deu certo.

O drama maior não é eu ser como sou. O drama maior é não me aceitar assim e estar tão convicta de que vale a pena me importar tanto.

Só mais uma: fico com pena de mim mesma quando constato, na festa, olhando a mesa posta, que não sei aprontar uma mesa de festa de forma minimamente elegante. Tudo parece meio jogado, sem estética nem delicadeza. Tá, mas o que isso tem de mais? Talvez tenha a ver, ainda, com a maquiagem. Não sou uma pessoa fina, não sei ou não tenho a menor paciência para providenciar as inúmeras minúcias que resultariam numa "mesa de revista" -  mas eu quero!

Uma mesa bem posta é bonito e quero ser capaz dessa boniteza. Mas não sou. Por fim olho meio desolada para o fruto das minhas pobres mãos. Queria me filmar olhando pra mesa da festa. Queria filmar só para olhar depois e me sentir pior. Todos temos um pouco de masoquismo.  Pois é: ali, no meio da sala, estampado para todos, está a minha mesa desajeitada e grosseira - como eu.

Novamente digo que a mesa não é problema. A falta de jeito também não seria problema. O problema é o meu olhar desolado sobre ela, um olhar que me escapa  por um segundo mas cato depressa e meto no bolso como se fosse uma borboleta esfarrapada e fujona.

Pois é, taí eu.


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