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11 de abr de 2016

Encontro - Marcos Quinan


Amigas inseparáveis desde a infância, na adolescência e até se formarem. Juntas viveram na juventude, sonhos, anseios, as paixões e alguns amores.

Juntas cruzaram a época das maiores contestações, repressões. Foram despojadas e vaidosas, queriam conquistar o mundo. Lutaram pela liberdade e pela justiça. Cometeram transgressões e rebeldias, sempre juntas, confidentes, irmãs.

Perderam-se depois da faculdade. Uma casou-se, viveu a paixão e o amor; depois, todos os sentimentos multifacetados contidos no casamento.

Teve filhos, a casa dos sonhos, jóias nem sonhadas, viagens de férias e a atenção do grande amor. Quando os filhos cresceram, separou-se, perdida em seus valores.

Na outra, a paixão era latente; apaixonava-se perdidamente e, noutro instante, o coração estava disponível. Tinha muita coragem, seus casamentos duravam poucos anos; não tivera filhos, nunca morou muito tempo no mesmo lugar, na mesma cidade, no mesmo país.

Ficou famosa escrevendo biografias. Agora, vivia afastada do meio literário, perdida em sua coragem.

No aeroporto, cruzaram-se no saguão. Uma voltando para o que não conseguira ser, a outra indo buscar o que tinha ficado no seu desejo; não se reconheceram.

Apenas se desculparam pelo esbarrão.
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