.

.

21 de mai de 2016

A Rede Social - Mark e VOCÊ

Já comentei esse filme em meu blog de cinema, mas acho que você não leu então repetir é preciso.

Além da história, que é interessante, uma coisa que me deixou pensativa foi o personagem principal. Não exatamente ele, mas NOSSA reação a ele.

A maneira como NÓS reagimos ao personagem parece ser um desconfortável indício de pequenez da NOSSA parte. Mark Zuckerberg - personagem principal - é esquisitão e inteligentíssimo. Normal. Todo inteligentíssimo é esquisitão e todo o esquisitão a gente torce para ele ser pelo menos inteligente. Bem, e Mark não é muito simpático. O estranho é que a gente acaba gostando dele. Como? Aí é que está.

Mark é brilhante, inventivo, jovem, fala o que dá na cabeça, é ambicioso, convencido e não resiste a uma oportunidade de crescer, mesmo que isso lhe custe as mais caras amizades. Ele simplesmente não consegue parar. Essa é a grande tentação da sua vida. É como se uma força superior o puxasse para cima e ele tivesse que cumprir seu "doloroso" carma. Deveríamos odiar Mark. Porque isso não acontece? Porque mesmo assim ele é tudo o que VOCÊ quer ser.

(Isso não é acusação, mas retórica. Combinado?)

Uma pessoa de bom coração morreria de raiva dele. Ei, pessoas de bom coração tem raiva de alguém? Ah, deixa pra lá. O fato é: como ter  raiva se ele é tão inteligente e ainda por cima está ficando milionário? Amigo, se foi desse jeito que você sentiu o personagem, bem-vindo ao clube: você não é uma pessoa tão boazinha assim e é igualzinho à sociedade que costuma criticar. Acho que o filme quis inquietar.

Em alguns momentos a história parece estar mais para drama psicológico. Para mim foi um drama psicológico. Dá pra entender um pouco da dor de todo mundo. Ser um gênio que enriquece pode levar a pessoa a um deplorável estado de solidão. Mark nos dá inveja, raiva e pena, tudo junto. É uma mistura improvável de sentimentos, mas isso existe. Experimente.

Sabe outra coisa dolorosa do filme? É eles jogarem na nossa cara, impiedosamente, que não há remédio para a mediocridade. Gênios já nascem prontos e se você não nasceu assim, paciência. Sorry, periferia!

Li uma critica que dizia, brilhantemente, que "No fim das contas, embora o Facebook trate de conectividade, David Fincher está fazendo um filme sobre a dissonância. É como o ruído que persiste na trilha de Reznor, literal e metaforicamente." É isso aí.

Mas não somos tão ruins assim. Fora a pena/inveja que sentimos do sócio de Mark, ainda conseguimos sentir um dó descomunal dos gêmeos belíssimos, educadíssimos, finos, sarados, bons e inteligentes que sofrem horrores ao serem humilhados o tempo todo pelo QI e pela fraqueza moral de Mark.

Essa dor acaba sendo a nossa redenção.
Postar um comentário